sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Menina do Rochedo - Parte 9

Continua...
                     Não vou ficar nervoso. Não quero mais ouvir essa voz. Vou me desligar desse merda. Mesmo me criticando, a garota seria de grande ajuda. Mas não tem problema, me safarei dessa enrascada. Acredito que, mais ou menos, há dois metros à frente, estarei salvo. Pelo menos temporariamente. Onde estou à caveira não me vê. Isso já dá pra respirar um pouco. Estou chegando. Graças a Deus. Olha só que beleza! Aqui tem uma área boa! Pelo menos, comparando com quase nada, um metro quadrado é um sítio! Cheguei. Que alívio. Parece que estou chegando ao paraíso. Não acredito no que estou vendo! Uma asa delta? Isso mesmo? É. Só pode ser. Uma asa delta. Quem diria! Está ali a minha salvação. Que beleza, meu Deus! Mas tem um probleminha: nunca voei de asa delta. Tenho um medo danado de altura. O que é isso?  Estou ouvindo um chocalhar de ossos. Ossos? Meu Deus! É a caveira! Ela está ali pertinho! E não tem uma cara de bons amigos! Agora estou frito! Ela parou e está olhando nos meus olhos! Será que ela cansou? Vou pra asa delta. Quem disse que não sei voar? Já estou voando! Deixa me preparar. Mas não tenho tempo para me preparar. Como é que fica? Acho que é só me amarrar e me jogar, né? Porra! É o barulhinho de novo! A caveira está andando! Que merda! Rápido! Rápido! Vou pular! Lá vou eu! Porra! A caveira conseguiu se agarrar na ponta da asa! E agora?  Ela está escalando... E já está em cima da asa! E eu que não sei pilotar essa droga! Vamos cair! Meu Deus! Acho que estou ficando maluco! Pra que lado eu vou? Estou rodando! Essa porra vai cair! Ih! Estabilizou! Agora pra onde eu viro? Meu Deus ela botou a cara aqui na minha frente! Vou fechar os olhos!
      - Hei cara! Está com medo de mim? Eu só vim aqui te agradecer. Você me deu um nome. Lembra? Eu sou Omar!
                       Será que estou sonhando? Vou abrir os olhos. 
      - Hermes, fala comigo. Lá embaixo eu não consegui, mas agora estou mais tranquilo.
                       Ela me chamou pelo nome. Vou tomar coragem e abrir os olhos.
      - Omar é você? É você mesmo?
      - Claro! Não me reconheceu não?
      - Você está diferente. Está igual quando eu te vi pela primeira vez. Perdeu o rosto que te dei. Já estava acostumado com a sua cara nova. Pra onde você foi?  Sumiu de repente. 
      - Fui para o fundo do mar. A onda me arrastou, que nem percebi. Mas eu vi que você estava precisando de alguém, aí me candidatei. 
      - Desce daí.
      -Só dá pra ficar aqui em cima. Ficar junto de você, vai ser difícil. Eu sou levezinho. Pode deixar que  vou ficar tal qual uma estátua: paradinho, paradinho.  Mudando de assunto: cara, você não tem nenhum amigo que possa te ajudar?
      - Você fica preocupado em saber quem é seu amigo? Eu não me preocupo com isso. O inimigo, é que precisamos conhecer. O amigo sempre aparece quando a gente precisa. Viu só! Você apareceu!
     - Mas como é que eu vou te ajudar? Aquela turma é da pesada. O cara que estava conversando com você, foi o que me apagou. Parece gente boa. Não parece? Foi o mesmo lance seu. Parei no posto de gasolina da estrada. Quando dei por mim, estava deitado na areia da praia. Só que acordei rápido e parti pra dentro dos caras... Aí me dei mal. Estou aqui magrinho.
     - Verdade? E você não sabe por que eles nos pegaram?
     - Sei nada. O meu carro nem veio pra cá. Eu não entendi qual é o lance deles. Será que a gente vai descobrir? Como é que você subiu esse rochedo?
     - Foi uma menina.
     - Menina? Que menina?
     - Você não viu, não?
     - Nem lá embaixo, nem aqui em cima. Cara o rochedo não tem escada! Você escalou todinho, numa boa! Os caras devem ter ficado impressionados! Você é um exímio alpinista!
     - Que alpinista que nada! Tenho um medo danado de altura! Me cago todo! Foi a tal menina que te falei.  Se não fosse ela, eu estava frito.
     - Estranho. Muito estranho.
     - O que é que é estranho? Estranho é você subindo a pedreira! Uma caveira... Isso não pode! Eu devo estar sonhando! Omar... Qual é o seu nome? Omar é que não é!
     - Agora é Omar! Caveira perde a identidade! Vamos deixar Omar, mesmo!
     - É claro que caveira tem identidade! Ninguém perde a identidade, mesmo depois que morre! Espera aí. Eu de novo batendo papo com uma caveira. Se eu contar isso pra alguém, com certeza vão me taxar de maluco.
     - Fica assim não. Você me criou. Me deu um nome. Agora eu sou seu eterno devedor. Sou seu amigo. Falando em amigo, você tem algum de carne e osso?
     - Devo ter. Acho que tenho. Mas isso não importa. O que importa mesmo é saber quem é  inimigo.
      - Por quê? Eu nunca tive amigos. Se tivesse pelo menos um, eu ia querer saber.
      - Pra que? O amigo não vai te fazer mal. Não hora que você precisar, ele aparece. O inimigo é que é a complicação. Se aparecer é pra te ferrar. Se você conhecer, vigia e não deixa que chegue perto.
     - Eu fui o único que apareceu pra te ajudar. Sou ou não sou seu amigo?
     - É. Mas aqui, nem amigo e nem inimigo vão me achar.

     - Quem são aqueles lá embaixo?
Continua semana que vem...

2 comentários:

  1. Aguardo semanalmente para ler. Adoro seu universo imaginativo.

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  2. Valeu. Obrigado por nos seguir.

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