sábado, 19 de agosto de 2017

DEDILHADO



 https://youtu.be/KrAYkXvOcZg

Mais uma música postada no Youtube!. Essa em parceria com Martha Taruma, que também canta a canção. Essa é mais uma música do CD Refiz Estradas gravado nos estúdios Luperan, em São Pedro da Serra. A direção musical, gravação e instrumentos são de Rodrigo Garcia.


terça-feira, 15 de agosto de 2017

BEM NA FRENTE

   
BEM NA FRENTE
- José Timotheo -

Tenho, bem na frente dos olhos
Um monte de flores
Que apalpo mas não vejo como flores
Tenho, bem na frente dos olhos
Um monte de qualquer mato
Que apalpo e sinto como flores
Tenho, bem na frente do mato e das flores
Um par de olhos que deixam
A verdade escorregar pela mentira
Vejo, então, na frente da própria consciência
O mato enfeitando o esquecimento
E as flores sepultando a razão

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

TARJA

          
TARJA
Minha terra chora
As sabiás se envergam sobre seus cantos
Os colibris já não beijam
Mordem as flores
As borboletas não colorem o céu
Enegrecem a esperança
Até os pardais abandonam as manhãs
Sepultando-se pelos telhados
É
Minha terra chora
O dia já não nasce mais hoje
Abortaram-no ontem
E nem do passado
Pode-se colher a saudade
Minha terra cala
E minha gente enforca-se com os sonhos
É o futuro estendido, indigente
Numa cova rasa

terça-feira, 1 de agosto de 2017

ONDE ESTÁ O CANTO?


ONDE ESTÁ O CANTO?
Sento-me na ponta da vida a pedir explicações
Do canto que outrora fluía alegre
Mas que, hoje, morre no meu peito
Não sei o que houve com os meus sonhos
Com quase todos os meus olhares
Que te cercavam de saudade
Com as minha esperanças
A correrem pelos campos com a tua esperança
Do meu adeus nas manhãs cansadas
E, até, das minhas fantasias
Fantasiando as tuas fantasias
Tudo em mim criava canções
Onde está?
Onde está o meu canto?
Está amarrado a outros cantos mudos?
Está cansado de gritar
Às desafinações do mundo?
Está cansado de correr
Pelas cabeças, mas sem ecoar nos corações?
Talvez já esteja, até
Na boca de algum mudo
Quem sabe?
Mas onde está o meu canto?
Quero o meu canto
Antes que sepultem o último aplauso

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Um Anjo na Boleia - Última Parte

E chegamos a última parte...
    - Quim, mas não tinha defunto nenhum!
    - Não tinha... Mas você não sabia que não tinha! Você tinha certeza que o defunto estava lá atrás, só eu que não sabia! Em outra enrolada dessa, você não me joga mais!
    - Tá bom, Quim! Tá bom! Até parece que você não gostou de ter ajudado aquela família! Até parece!
    - Não estou falando disso! Você me entendeu! Oh! Tem mais uma coisinha: já passou da hora da gente voltar pra vida real! Vamos pra normalidade! Vamos voltar a pisar o chão!
    - Tá certo! Tá certo! Pisa aí!
   O caminhão vai se movimentando normalmente. A velocidade que pedia para aquela estrada, não podia exceder os 40 km. Mas Quim ia com um sorriso nos lábios. Toni observou a descontração que tinha se apossado do irmão e comentou:
    - O que é deu em você? Está alegre!
    - De repente me deu vontade de sorrir. Não é estranho isso? Mas eu me lembrei daquela família. Deve ter sido isso. Toni eu estava me lembrando de uma coisa.
    - O que é? Não me venha com história!
    - Que história o quê! Estou pensando aqui comigo, que o que nós fizemos até agora, não podia caber dentro desse dia.
   - Como assim!   
    - Pensa bem. Nós chegamos naBR, às cinco da matina. Aconteceu coisa pra cacete.  Até refém daqueles bandidos, nós ficamos. Pegamos essa estrada secundária, que não se pode passar dos 40 km. Olha o seu relógio, aí! Que horas tem?
- Aqui está marcando 2 e 40  da tarde.
     - E você acha Toni, que em, mais ou menos, 9 horas dava pra fazer tudo que fizemos, e ainda estar voltando para a rodovia? Eu acho que não! Quanto tempo, ficamos nas mãos daqueles bandidos? Foi muito tempo, não foi?
     - Foi mesmo, Quim. Realmente, você está certo.
     - Então, o que fazer? Eu pergunto e respondo. Não podemos falar disso com ninguém. Com certeza vão chamar a gente de mentirosos e malucos. Vamos entregar a carga conforme combinado e se pintar algum transporte, a gente pega. Depois vamos até em casa, de onde estamos sumidos há muito tempo. Toni olha só que paisagem desoladora! Eu não me lembro de ter visto um lugar tão seco e feio como esse! Como esse pessoal consegue sobreviver numa região dessas? Sabe Toni, chega de paranormalidade!
     - Essa turma vive de teimoso! E chega de fantasma! Vamos embora! Toca aí, Quim! Isso que vivemos, foi só um sonho! Acelera, mano! Estou doido pra chegar numa churrascaria e encarar aquela boa picanha! Vamos embora e sem reclamações!
    - E eu reclamo? Para com isso, Toni!

fim


Obs. Essa obra é de ficção. Qualquer semelhança com a história, nomes dos personagens, é pura coincidência.










sexta-feira, 21 de julho de 2017

A PROCURA DA NÊGA


Ai galera, acaba de ser publicado a música A Procura da Nêga, de minha autoria, no YouTube. É a primeira, e de verdade, estou muito feliz! Que tal ir lá e conferir esse novo trabalho? Irei publicar uma música por mês. Aguardem!!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Um Anjo na Boleia - Parte 17 (Penúltima parte)

Continuando...
Os dois saem do casebre com os olhos cheios d’água. Disfarçadamente, enxugam com as costas das mãos, as lágrimas que já desciam pelo rosto. E se dirigem para o caminhão, em silêncio. Mas antes de entrar, Quim faz um comentário:
       - Ué, Toni! Nem tinha percebido que você tinha feito à manobra no caminhão!
      - Enquanto você foi levar a última caixa, eu manobrei pra gente não perder tempo. Agora a direção é sua.
      - Tá bom. Deixa comigo.
         Os dois entram no caminhão, mas antes de partir dão um adeus para dona Maria e as crianças, que os acompanharam até o portão. Quim liga o motor e vai saindo lentamente. Parecia que o pé dele estava sem força para acelerar. O caminhão foi se arrastando até a árvore. Parou. Ele colocou a cabeça para fora e ficou olhando para a copa da árvore. O irmão ficou curioso e perguntou:
      - Ué, Quim! O que é que você está fazendo?
      - Eu? Só estou olhando para ver se a menina está lá em cima da árvore!
      - Mas como ela vai estar lá em cima? Você tem cada uma!
       - E se ela estivesse? A mãe não falou que ela gostava de ficar em cima da árvore? Então, de repente ela estava lá em cima!
       - Pra quem estava aparentando estar com medo, até que me surpreendeu!
      - Que medo o quê!
      - E se soubesse antes, Quim?
       - Eu... Aí ia se esquisito! Claro que eu ia ficar com medo! E você também ia! Não adianta nem dizer que não!
       - É. Tá legal. Vamos embora, que temos ainda alguns quilômetros de poeira pela frente. 
      Quim dá a partida no veiculo, mas não consegue dar velocidade. O caminhão vai se arrastando por alguns metros e para. Toni fica sem entender o que está acontecendo e reclama:
      - O que é que está havendo? Não consegue andar, não? Vai me dizer que estamos enguiçado!
      - Não sei Toni! Não estou conseguindo apertar o acelerador! Que coisa estranha!
      - Então deixa eu levar Gertrude!
      - Pra chamar a nossa carreta de Gertrudes, é porque está com muita raiva! Só pode ser! Você me proibiu de chama-la por esse nome!
      - É mesmo! Quando eu me lembro daquela filha da mãe! Hum! Você botou esse nome, só pra me sacanear! Vamos embora! Estou te achando muito devagar! Estou descendo!
    Toni desce, mas de repente, ainda com a porta aberta, fala para o irmão, quase sussurrando:
- Quim, olha lá prá´trás. A menina está em pé lá perto da árvore. No mesmo lugar que deixamos ela.
     - É mesmo! Olha só!Ainda está mandando beijo pra gente! Será que ela está morta mesmo? É igualzinho a uma pessoa viva! Por que será que ela não apareceu pra mãe?
     - Sei lá! Sei lá! De assombração eu não entendo! Ih, Quim! Ela sumiu!
     - Não deixou nem vestígio! Eu pensei que fantasma deixasse algum rastro! Tipo uma fumacinha!
    - E lá alma de outro mundo é fumaça? Não tô sabendo disso não! Quim, deixa eu pegar na direção!
    - Peraí,Toni. Volta lá pro seu lugar. A direção é minha.
    - Mas, Quim! Você não está conseguindo apertar o acelerador!
    - Já passou! Meu pé agora está firme! Naquela hora é que não entendi! Será que foi a menina?
    - Pode ser. Depois disso tudo que aconteceu com a gente! Acredito até que o homem possa mandar uma nave para o sol, e os astronautas vão até tomar umas cervejinhas bem geladas, por lá!
    - Você é muito engraçadinho, Toni!  Vai brincando, vai! Sobe logo aí! Estou doido para pisar nesse acelerador! Vou pisar! Mas antes, quero falar uma coisinha, Sr. Toni!
- Ih, qual é Quim? Esse negócio de me chamar de senhor! O quê que é?
    - O quê que é? Viu a enrolada que você meteu a gente? A gente podia ter morrido! Tinha que ter falado antes comigo!
    - Falar com você? Quim, se eu tivesse falado com você, a gente não ia fazer nada do que fizemos!

    - Mas é claro, que a gente não ia ter feito nada! Porque eu não ia entrar nessa canoa furada! Aonde já se viu transportar defunto! Quando penso nisso, fico todo arrepiado! 
                          Semana que vem acaba essa estória!!