quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Caso dos Olhos Azuis - Parte 13

Continuando...
A norma do milionário excêntrico era que todos, ao ser convidado, se despissem da posição social.  Isso - é claro! - para quem tinha alguma posição. Mas quem não aceitasse a condição, não entrava na festa. Os sem posição social, recebiam roupas novas e caras. E, além disso, ganhava banho de loja, salão de cabeleireiro e mais uma porção de mimos. Mas isso realmente era somente para aqueles que não tinham um tostão furado no bolso. Depois da arrumação, juntos e misturados, ninguém sabia quem era quem. 
           PC já estava com um copo de scotch. Ele não sabia como aquele copo tinha ido parar entre seus dedos. Estava conversando com Lucinha e alguém o colocou na sua mão. Achou estranho, mas como estava sempre com sede, virou quase tudo de uma só vez. Nesse momento um garçom passava do seu lado. E só foi trocar de copo. Mas dessa vez deu apenas uma bebericada. Não havia passado cinco minutos que tinha esvaziado a primeira dose, ele colocou a mão na cabeça e falou para a amiga:
          - Lucinha. Que coisa estranha. Estou me sentindo tonto. A cabeça está ficando pesada. Estou parecendo que estou acordando no dia seguinte.
         - Como assim? Com uma dose só? Está ficando fraco? Um pé de cana da sua classe, cair com uma dose apenas? Não estou te conhecendo!
        - Cair nunca! Jamais em tempo algum! Só estou meio pianinho! Lucinha é o “figueredo” que está meio baleado. Com certeza foi à cocada que comi ontem!
       - Essa cocada deve ser do Paraguai. É mais uma marca de uísque?
       - Você está muito engraçadinha, hoje!  Vou procurar um banheiro e não demoro. Vê se Marcão está anotando tudo.
         PC termina de falar, vira às costas e sai à procura de um banheiro. Enquanto isso Lucinha vai curtindo a música que se espalha pela mansão. Ela não conhecia, mas mesmo assim ia se mexendo. Ainda não tinha visto Marcão e nem o delegado. Olhou em volta, mas não encontrou nenhuma cara conhecida. Pegou um copo de chope que um garçom lhe oferecia e bebericou. Parecia que tinha apenas molhado os lábios. A espuma ficou agarrada num canto da boca. Enxugou com um guardanapo que tinha pegado quando comeu um canapé. Já estava ficando impaciente. O amigo estava demorando. Mas alguém colocou a mão no seu ombro e quando virou, deu de cara com o delegado. Respirou aliviada quando viu o namorado. Sorriu para ele e disse:
         - Carlos, sumiu todo mundo! Já estou aqui sozinha, faz tempo!
         - PC foi embora?
         - Não! Ele saiu para ir ao banheiro e ainda não voltou! Estou ficando preocupada!
         - Deve ter ido embora.                                                                                                      
          - Não! Acho que não! Ele não iria embora sem me avisar! Mas já tem mais de meia hora que saiu procurando o banheiro. Ele deve estar em qualquer canto por aí, não é? Aquele pilantra deve ter achado algum rabo de saia!
         - Concordo! PC só vive encrencado com mulheres! Já deve estar enroscado com alguma por aí! Não vamos nos surpreender se, pra semana, ele já estiver vivendo maritalmente com ela! Já casou quantas vezes?
         - Sei não! Cinco ou seis. Não tenho certeza. Pode ser que seja sete. Já perdemos a conta. Galinhão!
        Em meio a esse bate papo, um tremendo barulho ecoa pelo palacete. Parecia uma explosão. O susto foi geral. A música foi interrompida e uma voz feminina ecoou no salão, justificando o tal barulho:
          - Senhora. Senhores. Podem ficar tranquilos. Nada de grave aconteceu. Foi apenas um garçom desatento que derrubou um armário abarrotado de louças. Podem voltar aos comes e bebes. A música volta em seguida.
            O sorriso foi substituindo o susto. A descontração foi voltando. O delegado aproveitou e deu um beijo rápido em Lucinha. Ela sorriu, mas disse:
           - Carlos, nós temos que ter cuidado! Não quero encrenca para o meu lado!
          - Foi rápido. Nessa confusão toda, ninguém percebeu. Se tiver algum espião por aqui, não deve ter visto nada.
          - Espero. Estou com vontade de ir ao banheiro. Não demoro.
          - Vou ficar aqui. Estou te esperando.
             Lucinha vai ao encontro de um garçom e pergunta onde fica o toalete. Ele aponta na direção e diz que é no andar superior. Ela vai subindo às escadas e na sua cabeça vem à figura do amigo PC. E a pergunta rola:
         - Onde será que se meteu esse pilantra?
            Chega ao andar de cima e vai procurando pelo banheiro. Encontra uma placa indicativa. Para o lado direito, o banheiro masculino. Em frente, o feminino. Já dentro do toalete, antes de urinar, vai se olhar no espelho. Ao se mirar, ela grita de pavor, ao ver refletido nele um par de olhos azuis. Em seguida uma gargalhada, parecendo que saia do inferno, ecoou estridente. Lucinha, completamente apavorada, sai numa tremenda carreira, em gritos. Na escada é interceptada pelo delegado, que também tinha resolvido ir até o banheiro. Ele vendo a expressão assustada dela, pergunta:
         - O que houve Lucinha?
            Lucinha tremendo dos pés a cabeça, mal consegue articular palavras. O delegado então insiste:
         - O que houve Lucinha? O que é que te aconteceu? Fala! Olha pra mim! Sou eu: Carlos! Está me reconhecendo? O que houve, fala?
           Lucinha com dificuldade, quase em estado de choque, fazendo um esforço hercúleo, conta ao delegado o que aconteceu. Ele larga a namorada ali mesmo e corre até ao banheiro feminino. Mas nada encontra. Olha cada palmo do reservado e nada.  Volta e encontra Lucinha sentada no degrau da escada. Senta-se ao seu lado, coloca o braço no seu ombro fala calmamente, mas reticencioso:

         - Lucinha, eu olhei tudo, mas não encontrei nada. Deve... Quem sabe... Deve ter sido criação da sua mente. É...  Você deve estar com os nervos à flor da pele. Também não é pra menos, né?  O que tem acontecido nesses últimos meses, dá pra deixar qualquer um maluco. Quem sabe...
                                     Continua semana que vem...

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O Caso dos Olhos Azuis - Parte 12

Continuando...
      É muito grande. Você percebeu o tempo que estamos andando e ainda não demos a volta completa? Olha só que iluminação nesse entorno! Parece até dia claro!
        - E esses jardins! O paisagista que criou esse ambiente é simplesmente fantástico! Você sabe quem foi?
         - Não. Acho que é original. O jardineiro que cuida disso tudo manteve cada jardim do mesmo jeito. Nada mudou desde a última vez que aqui estive. Mantem isso tudo um brinco, há muitos anos.
           Eles continuam andando e apreciando cada pedaço daquele paraíso. De repente os dois levam o maior susto, quando, saindo de dentro de um orquidário, o delegado Carlos aparece ao lado deles.
          - Porra, delegado! Assim você mata a gente! Caraca!
          - Calma PC! O que é que você faz por aqui?
          - Fui convidado! E por um acaso veio investigar algum crime?
          - Longe disso! Só vim mesmo me divertir! Chega de ser policial às vinte e quatro horas! Hoje resolvi tirar a fantasia! Recebi um convite, mas só que não conheço o homem! E você conhece?
         - Claro! Gente muito fina! Só é mais gordo que uma agulha!
         - Já vem você de gozação! Cá entre nós: achei meio estranho o convite, mas mesmo assim vim. Eu nem conheço o cara! Mas já que resolvi vir, vou tentar curtir! Estava precisando refrescar a cuca!
            Oi Lucinha! Tudo bem?
         - Pensei que fosse me ignorar! Mas...
         - Como eu posso ignorar você? De jeito nenhum!
         - Ih! Tá rolando algum clima aí?
         - Que clima? O clima tá mudando! Vem frente fria! Daqui a pouco pode pintar chuva, com raios, trovões e o escambau a quatro!
         - Calma Lucinha! Você não disse que ia vir com a sua mãe e com o seu pai? Então, como eu ia pegar você? Está nervosa?
         - Não. Desculpe.
         - Não disse que estava rolando um clima!
         - Tá sim! Já rolou! Está rolando! PC tá se metendo muito na minha vida!
        - Tá legal, Lucinha. Desculpe. Pô! Vocês não falaram nada! Esconderam o romance!
       - PC, não podíamos colocar o nosso namoro público. Eu estou ainda em processo de separação. Peço encarecidamente, segredo. Podemos contar com a tua discrição?
      - Tudo bem, delegado. Somos amigos. Segredo total.
      - Valeu. Eu e Lucinha não podemos facilitar. Não podemos ser vistos juntos. Mas nada nos impede de ficarmos próximos. E eu não vou tirar o olho de você, Lucinha, nem um minuto sequer! Pode apostar nisso!
     - Está bem Carlos. Mas eu também vou estar de olho em você, o tempo todo. Se pintar alguma piriguete no pedaço, eu caio de porrada nela.
     - Você sabe que eu sou comportado. Só vim para refrescar a cuca. Mesmo não sabendo o porquê de ter sido convidado.
     - Delegado, não precisa estranhar o fato de ter sido convidado, sem mais nem menos, não! Já olhou a turma que está chegando? E vai pintar mais gente estranha ainda! Olha lá um mendigo! Já tem, com certeza, prostituta, médico, advogado, engenheiro, militar, bandido, Juiz, delegado! Não se surpreenda se aparecer o governador, prefeito, vereador, deputado, ministro, etc. Só que – você leu o convite? – aqui ninguém tem título. Todo mundo é igual. Se alguém tentar se achar... Os seguranças põem o cara no olho da rua. O velho é o maior excêntrico que já vi!
      - E bota excêntrico nisso! Eu tive que ler a observação de qualquer jeito! Também com as letras daquele tamanho, quem ia deixar passar? Espero não me arrepender de ter atravessado para o Rio de Janeiro.
      - Vocês são dois preconceituosos! O cara só é um “maluco beleza”!
      - Delegado, vai ter que aturar!
      - Com o maior prazer!
         O trio consegue dar a volta em torno do palacete. Quando vai entrando pela porta principal, uma voz grave e um tanto cavernosa cai sobre todos os convidados, que naquele instante superlotavam as dependências:
         - Atenção! Atenção senhores e senhoras! Primeiramente gostaria de agradecer a todos por aceitarem o meu convite. É uma honra, depois de tantos anos, ter a cidade do Rio de Janeiro e adjacências dentro da minha humilde casa. Apenas um convidado, que ia dar mais autenticidade a minha festa, não aceitou o meu convite: o Cristo Redentor. Faltou-me um pouco mais de argumento.
            Seguindo estas últimas palavras, que saiam de um alto-falante, o anfitrião deu uma longa e estridente gargalhada, que ecoava parecendo que jamais terminaria. Ficaram todos com as caras assustadas. O efeito que aquela voz e a gargalhada causaram nos convidados, foi uma coisa assustadora.  O silêncio que veio em seguida deixou no ar um temor que ninguém sabia do quê. Parecia proposital da parte de LW, esse suspense. Estava querendo testar os nervos daquela gente. E pelo visto conseguiu o seu intento. A vida só voltou, quando alguém deixou escapulir um riso tímido. E isso foi o bastante para que a gargalhada tomasse conta do ambiente.  
              O silêncio tinha voltado. Mas ninguém conseguia se movimentar. As pessoas olhavam querendo descobrir onde estava o alto falante. Mas no fundo sabiam que não era só isso. Na verdade tinham certeza que de uma hora para outra aquela voz cortaria novamente o ar. E não deu outra: depois do breve silêncio, LW voltou a despejar a sua voz cavernosa no ambiente:
          - Senhoras. Senhores. Todos devem estar estranhando o fato deste criando de vocês, não aparecer. Fiquem tranquilos, pois na hora certa a minha presença será em carne e osso. Até lá, sintam-se como se estivessem em suas próprias casas. A mesa está servida. Comam e bebam à vontade.
           Com a pausa, os convidados começaram a se movimentar em direção à porta principal. Porém o anfitrião voltou a falar:
         - Um minuto, por favor. Gostaria de dizer mais algumas palavras. Tenho uma grande surpresa para vocês. Será uma coisa grandiosa, que jamais esquecerão. Estou ultimando os preparativos. Esta festa ficará marcada, como se fosse uma tatuagem, dentro de cada cabeça.

            Eu quero lembra-los que aqui, na minha casa, todos são iguais. Única condição para que pudessem comparecer a minha festa. Então, esqueçam-se da posição social de cada um, pois aqui ninguém a tem. As fantasias foram deixadas lá fora, nos cabides da vaidade. Divirtam-se. E obrigado.
                 Continua semana que vem... 

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O Caso dos Olhos Azuis - Parte 11

Continuando...
O sábado chegou rápido. Parecia que a semana tinha encurtado.  PC  ligou para Vermelho. Marcou com ele às vinte e uma horas. Depois pegariam Marcão. Na hora marcada, o motorista parou em frente à garagem do edifício, buzinou e esperou pelo repórter. PC ouviu a buzina, e, diga-se de passagem, era escandalosa. Meteu a cabeça pela janela e confirmou que era o carro do jornal. Desceu rápido, para evitar encrenca do porteiro com Vermelho. Não seria a primeira vez, pois já tinham acontecido outras dez, mais ou menos. Ele já tinha até perdido a conta. Mas agora estava mais precavido, pois marcava quase na hora de descer. E desceu rápido, conseguindo chegar antes que houvesse alguma confusão. No carro, PC foi alertando o motorista:
          - Vermelho. Nada de encher o pote. Pode beber, mas é só maneirar!
Nada de ir com muita sede ao pote! Meu irmão! Vou estar de olho em você!
          - Sem perseguição, PC! Sem perseguição! Pelo visto, eu é que vou ter que ficar de olho em você! Com tanta birita importada, rolando! Quem vai ter segurar?
         - Tá bom! Vamos maneirar! Se der! Ah! Ah! Agora vamos pegar Marcão. Ele está esperando em frente à casa de Mirna.
         - E quem é Mirna?
         - Aquela menina ruiva que estagiou com a gente! Não se lembra? Aquela gatinha!
        - Que gatinha? Eu só me lembro da menina de cabelo vermelho! Que não quis nada comigo e nem com você! E acabou ficando com Marcão!
       - E não era ruiva?
       - Não! Ela tinha o cabelo tingido de vermelho! Não era natural! Agora, ela está com os cabelos verdes!
       - É?
       - É! E não era Mirna! É Melina!
       - Então... Então você sabe onde ela mora?
       - Sei!
       - Então vamos! Por que a demora?
       - Demora? E ainda não bebeu nada! Está bom. Estou indo.
           Chegaram para pegar Marcão, porém com um pequeno atraso. Ele estava no lugar marcado, mas atracado com a menina, e que já estava com os cabelos amarelos. Vermelho antes de encostar o carro, apertou a buzina com força. Melinda se assustou, mas Marcão, como já conhecia aquela buzina horrorosa, só ficou com a cara aborrecida.  Entrou no carro e deu um cascudo na cabeça do motorista. PC e Vermelho caíram na gargalhada.         
            O carro foi se aproximando do palacete. A rua já estava abarrotada de veículos. Vermelho foi se aproximando do portão principal. Quando embicou o carro, dois seguranças informaram que lá dentro não tinha mais vagas. E que não só ali, mas como toda a rua já estava tomada de veículos. E era só de convidados da festa. Vaga, só distante. PC e Marcão desceram. Vermelho então deu ré no veículo e foi à procura de um lugar para estacionar. E só consegue há três quarteirões adiante.  Na volta encontra PC e Marcão, conversando com Bezerra na porta da entrada. O fotógrafo, que morava perto de Lucinha, disse que tinha pegado uma carona com a amiga, mas que ela já tinha entrado com os pais. Vermelho fica olhando para a construção e comenta:
          - PC, que palacete, cara!
          - Parece um castelo. Já estive aqui. Não deu para conhecê-lo de cabo a rabo, mas consegui entrar em alguns cômodos. Vocês verão uma quantidade imensa de obras de artes, como nunca viram e acho que jamais verão. Pena que nem todos os lugares estavam permitidos à visita. E dessa vez não deve ser diferente. Mas! Mas sou mais o meu apartamento! Modéstia à parte, a minha pequena mansão!
            Lucinha que vinha se aproximando da porta, escutou o que PC falou e disse:
          - Pequena mansão? Só se for da família monstro! Aquilo deve estar cheio de teias de aranha, baratas, ratos e outros bichinhos mais! E o morceguinho que toma uísque paraguaio com você, ainda mora lá?
          - Não enche o meu saco, Lucinha! Você tem é inveja do meu ap! Se quiser frequentá-lo, está às ordens!
          - Sai fora! Não quero nem passar perto daquele muquifo!
          - Quem desdenha quer comprar! Você conheceu o outro!
          - Mas deixa isso pra lá! Vamos enterrar o passado!
          - Agora falando sério. Sabe que essa mansãozinha esteve fechada nos últimos dez anos? Só não ficou entregue às baratas, porque um casal ficou morando aqui e cuidando do imóvel, senão a traça e o cupim já tinham destruído tudo. 
             - E na sua mansãozinha é a barata que está cuidando?
          - Sem sacanagem, Lucinha! Sem sacanagem! Hoje você está muito engraçadinha! Vamos parar de falar pela grade! Vamos entrar Marcão? Vermelho! Cadê ele?
          - Já foi para o carro, PC. Disse que vai tirar uma pestana. 
          - O cara só vive dormindo!
           - PC! E você acreditou? Ele encontrou aquela morena da sucursal, lá da serra! Já estava cheio de papo! Os dois foram andando em direção ao carro. O cara vai tirar alguma pestana? Ele tá amarradão na morena!
         - Então vamos entrar. Vamos Bezerra.
           Então os três apresentam os convites e entram. PC manda Marcão e Bezerra entrarem no palacete:
         - Vão entrando no palacete. Bezerra, não me deixe escapar nada. Todos os dois antenados! Tá falado? Depois eu entro com Lucinha.
            PC convida a amiga para dar um passeio pela propriedade, mas só no entorno da mansão. Parece até um guia turístico. Lucinha aproveita para dar uma gozada nele:
         - PC! PC! Se ficar desempregado, já tem outro emprego: guia turístico. Só está faltando um bonezinho e um microfone. Como guia turístico gosta de microfone!
         - Você não perde uma, né? Estou tentando voltar às boas contigo, mas está difícil! Você não me perdoa mesmo, não é Lucinha? Aí fica com esse besteirol todo para cima de mim!
         - Te perdoar do quê? Já até esqueci! Agora somos só amigos! Estou em outra! Vamos continuar andando. O passeio está ótimo. Agora, meu cicerone, vamos até o outro lado?
        - Tudo bem. O que é que você quer saber? Já que sou uma espécie de guia turístico!
        - PC quantos quartos deve ter esse palacete? Dez? Vinte?
        - Sinceramente o total eu não sei. Pelo menos doze eu vi. Vou dar um palpite: de vinte para cima. Isso sem contar salas, cozinhas, banheiros, etc.
                  Continua semana que vem... 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

O Caso dos Olhos Azuis - Parte 10

Continuando...
                       Antes que o carcereiro respondesse, o delegado já estava se movimentando a caminho do xadrez. Um silêncio de pavor, medo, tristeza, suspense e o diabo a quatro, se misturou no ar, enquanto corriam pelo corredor. PC num impulso natural, já estava atrás do delegado. Dessa vez Lucinha acompanhou-os também. Lá chegando, esbaforidos, se depararam com o corpo do traficante caído, mas já sem vida. No chão daquela cela úmida, tinha acabado de morrer a única esperança, que talvez pudesse ajudar a elucidar aqueles assassinatos em série, de pessoas com olhos azuis.
            O laudo constatou, algum tempo depois, que o prisioneiro tinha se suicidado usando cianureto. Na autópsia descobriu-se que o veneno estava no dente. Técnica usada pelos prisioneiros nazistas, depois da segunda grande guerra mundial, que se suicidavam atrás das grades, antes do julgamento por crime de guerra.         
            Foi aberto inquérito, mas nada foi comprovado se houve ou não algum envolvimento de pessoas interna ou externa com o episódio. A pasta foi fechada e o inquérito encerrado.
           Depois desse episódio, na redação do jornal, Souza observou que PC estava parado, sem nada produzir. Desde cedo que não digitava uma linha sequer no computador. Tinha material suficiente para começar o dia, antes de sair na sua tradicional ronda pelas delegacias. Mas nada fazia. Estava com o olhar perdido. Souza dá um sorriso e pergunta:
          - PC! Ô cara, o que é que está acontecendo? Tá viajando?
             Ele responde, mas sério:
          - Chefe, estava quase em órbita! Estou ficando com medo de pirar!
          - Calma. Tem que ter muita tranquilidade para resolver esse problema. Qualquer dia as coisas clareiam. Eu sei que não é fácil não, a situação que você está passando. Mas estamos aqui para ajudar. Pode contar comigo.
         - Eu sei Souza. E agradeço pela sua amizade. Sei que posso contar com você sempre. Mas... Sabe quantos já foram assassinados: dezoito, contando com o de ontem. Porque hoje pode aparecer mais um. Agora, pelo andar da carruagem, esse décimo nono pode ser eu. E eu não estou querendo estrar para essa estatística. Não quero de jeito nenhum ser o número dezenove. Agora chefe, eu tenho ou não que ficar em órbita?
            Souza fica pensando por alguns minutos, antes de responder. A verdade é que não sabia o que falar para o amigo. Ele olha para a gaveta da sua mesa, que estava aberta, e pega um envelope. Vira ele na mão, mas depois fala:
          - É PC, a sua situação não é nada confortável. Mas podemos tentar melhorar um pouquinho. Estou aqui com um material pra você redigir. É nota social. Pega aqui. É um convite.
          Ele se levanta, pega o envelope e lê o nome do remetente:          - L.W. Rich? Não é o velho milionário excêntrico, chefe?
            Com o envelope na mão, faz a pergunta, mas volta para a sua mesa.   
         - Não tenho certeza. Mas esse nome soa familiar. – responde Souza.
            PC para pensativo e depois fala:     
         - Se não me engano, ele ficou fora do Brasil bastante tempo. Fez muitas festas boas. Um pouco antes de você pegar a chefia, fomos juntos. Lembra? Parecia um castelo!
            Com essa informação, Souza consegue se lembrar da pessoa.
         - Agora me lembro! Ele não estava nos Estados Unidos?
         - Isso! Isso mesmo! Eu acho que já se vão dez anos! Se lembra daquelas festas na década de 1980? Acho que ele saiu de cena em 1995. Foi à última.  Era uma semana de festas! Dê arromba! Ele era muito doido! Convidava mendigos, políticos, médicos, advogados, jornalistas, - é claro!-, e mais uma porção de gente. Era uma mistura de raça, credo, posição social... Eu fui, pelo menos, duas vezes nessas festas. E...
            Lucinha interrompe o que PC ia falar e comenta:
          - Sabe que mamãe me disse que ele e papai eram amigos de infância?
         - Então o seu pai era um tremendo loucão!
         - Que louco o quê! Até hoje, meu velho é muito comportado! Ele não ia nessas festas loucas, não!
           Enquanto os dois conversam, Souza apanha outro envelope na gaveta e fala para o amigo:
          - PC, tem um convite aqui destinado a você. Personalizado. Está com prestígio, cara! Pega aqui!
            Ele se levanta novamente e vai até a mesa do chefe. Pega o envelope, abre e lê o seu conteúdo. Dá um sorriso e diz:
          - Aí. É do cara mesmo. É igualzinho. A festa é sábado agora. Estranho.
          - Estranho o quê?
          - Souza, um convite só pra mim? Esse outro convite é extensivo para todos os repórteres, inclusive eu. Então não tinha necessidade desse outro. Não acha?
         - PC! Você está com prestígio, cara!
         - Mamãe também recebeu um convite desses!
         - Viu PC! Até a mãe de Lucinha tem prestígio, viu?
         - Chefe! O prestígio é do meu pai! Mamãe não tem ligação nenhuma com ele, não! Eu falei mamãe, mas veio no nome de papai!
         - Mas mesmo assim, tem prestígio! PC, até que vai ser uma boa. Você está precisando refrescar essa cabeça.  Não vai ter outro momento tão oportuno como esse. Pelo jeito Lucinha também vai.
        - Com certeza! Vou perder uma boca livre dessas? De jeito nenhum!
        - Viu PC? Já tem companhia para a festa! Vai se divertir, mas pode aproveitar pra fazer a cobertura do evento!
       - Trabalhar, chefe?
       - Claro! O convite particular é para você se divertir, mas o da redação é para trabalho! Une o útil ao agradável!
      - Tudo bem, chefe! Mas que tá estranho, tá!  Não consegui ainda digerir isso! Como ele conseguiu se lembrar de mim? Aí está o mistério!
     - Essa mania de repórter investigativo! Então aproveita e investiga a festa! Vê se descobre uma lata de caviar, com ova de atum! Pode ser que tenha contrabando de uísque paraguaio! Mas esse você gosta! PC! Deixa de ver chifre em cabeça de cavalo!
     - Sacaneia! Sacaneia! Vai que o cara esteja escondendo alguma coisa, por trás dessa festa? De repente eu descubro...
    - Ih! Ih! Vai se preparar para a festa de sábado, PC! Mas cuidado com o porre!
    - Sai do meu pé, Souza! Vamos juntos?

    - Estou fora. Tenho coisa mais importante para fazer. Vai com Marcão. Lucinha você vai encontrar por lá. Sair daqui de Niterói e atravessar a ponte? Pra quê? Eu quero é sossego!
             Continua semana que vem... 

domingo, 19 de novembro de 2017

MISTURA



Publicado a dois dias no Youtube e já ouviram e viram o vídeo, mais de 60 vezes. Muito legal. Vai lá conferir também!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O Caso dos Olhos Azuis - Parte 9

Continuando...
           A porta da sala do delegado Carlos estava encostada. PC bate levemente antes de entrar. O delegado olha, mas como estava no telefone, fez um sinal com uma das mãos, para ele entrar. Lucinha veio logo atrás. O delegado sorriu e mandou um beijo com as pontas dos dedos pra ela. Em seguida apontou para duas cadeiras, convidando-os a se sentarem.
           PC estava ansioso. Aqueles minutinhos que o delegado estava no telefone, pareciam que iam se estender por horas. Levantou-se algumas vezes. Numa dessas, Lucinha puxou-o pela camisa. Finalmente o delegado largou o telefone e fez questão de deixa-lo fora do gancho. Saiu detrás da sua mesa e foi falar com os amigos. Deu um aperto de mão em MD e beijou Lucinha. Em seguida disse:
           - Vamos sentar. Temos que conversar bastante. Parece que as coisas estão clareando.  A conexão só foi feita por causa do papel que estava com o seu nome. Se não fosse isso, ia ser mais um caso de tráfico de drogas. Mas a coisa é maior.
           - O meu nome no papel, dizendo que eu estava marcado pra morrer. É isso mesmo?
          - Com todas as letras. Dia e hora, para darem cabo de você. Você nasceu de novo, meu irmão.
          - Não foi mole, não! Mas estou aqui! Firme e forte!
          - PC acredito piamente que estamos a um passo de desmantelarmos o tráfico de drogas na cidade. Pode botar fé que finalmente, vamos poder começar a mexer com as pedras do tabuleiro de xadrez. O tráfico, sem sombra de dúvida, é de uma rede internacional. Eu sei que foi apenas um peão que saiu do jogo. Mas esse peão, quem sabe, pode nos levar até o final do jogo, com um xeque mate nosso!
         - Delegado, não quero ser pessimista. Mas a perda de um peão, pra quem sabe jogar, não quer dizer muita coisa, não! Às vezes se sacrifica uma peça, para depois derrubar outras do adversário! O rei têm muitas peças a protegê-lo! Agora, poço ver esse peão que está fora do jogo? Posso conversar com ele?
        - Claro, PC. Vê o que você consegue, porque com a gente ele nada falou. Por enquanto fomos com educação. Aí nem o nome ele disse. Mas depois vamos dar uns apertos nele. Vamos ver se vai falar ou não!
            O delegado chama os dois e se encaminham para a cela, que está guardando o bandido. Lucinha, antes de chegar até o local, pede para ficar por ali. Disse que não estava com estômago para olhar aquele marginal. O delegado então sugere que ela volte para a sua sala.
           PC vai passando, junto com o delegado, cela por cela. Estavam todas ocupadas e com lotação máxima. Somente a última estava com um único bandido.  O delegado bate com um porrete na grade, para chamar a atenção do traficante. Do jeito que ele estava, continuou: cabeça baixa. PC então fala:
           - Ô cara! Será que pode me responder alguma pergunta?
              O prisioneiro vai levantando a cabeça vagarosamente. Quando fixa o seu olhar no de PC, se levanta e fala cheio de ódio:
           - Cara! Mexeste em casa de marimbondo! Tiveste sorte da última vez, mas com certeza vais levar uma ferroada! E com bastante veneno! Repórter xereta! A tua sentença foi decretada! Eu falhei, mas outros não falharão!
              O bandido voltou para onde estava sentado, arriou a cabeça e ficou calado. E nada mais se conseguiu dele. PC então sugere ao delegado para que saíssem dali.
          - Delegado, vamos sair um pouco. Vamos dar um tempo pra esse pilantra pensar. Depois nós voltamos. Pode ser que resolva falar.
            O delegado concorda. Porém faz uma observação:
           - Tudo bem. Mas anota aí: dentro de meia hora a gente volta. Se nada for conseguido por bem, vamos conseguir por mal. Eu te garanto que, se preciso for, arrancaremos a pele do safado.
               Quando estavam de volta, um prisioneiro, que estava com a cara encostada na grade, esperou o delegado passar e deu-lhe uma cusparada. Rapidamente o delegado deu com o bastão na grade. Mas o bandido conseguiu se afastar e se misturar aos outros. O carcereiro se aproximou do Dr. Carlos e perguntou o que tinha acontecido. Ele então respondeu:
             - Juventino. Quantos nessa cela foram presos com aquele traficante?
            - Doutor. Tem dois aí dentro. 
             - Então arranca os caras daí e leva-os para sala de terapia intensiva. Vou mandar Berto e Jonas para vir ajudar. Qualquer probleminha manda chumbo. Depois, se não houver dificuldade, me chamem, mas só quando já estiverem com os dois lá dentro. Ok?  PC vai querer assistir a terapia?
          - Não doutor. Estou fora.   
          - Ah! Ah! Ah! Continua sensível!
          - Sensível? Não! Não se trata disso!
          - Vamos indo, PC. Lucinha está a nossa espera.
          - Ela sim, é sensível. Mas na hora que tem que ser dura, ela ultrapassa qualquer expectativa. Aquele docinho pode surpreender a gente. Cuidado delegado!
          - Ah! Já estou com medo! Vamos logo!
            Entram na sala e encontram a repórter sentada na cadeira do delegado. Rapidamente ela se levanta, mas Carlos a impede:
          - Não. Pode ficar aí. Sabe que você fica bem nesta cadeira? De repente você seria uma boa delegada. Quem sabe você não muda de profissão?
          - Estou fora, doutor! A cadeira é confortável, mas a função é bem desconfortável!
             Enquanto conversam, o carcereiro entra na sala gritando e com a cara assustada:
          - Doutor! Doutor! O prisioneiro... O prisioneiro da última cela...

          - O quê houve,  Juventino? O safado fugiu?   
      Continua semana que vem... 

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Caso dos Olhos Azuis - Parte 8

Continuando...
          - PC, por onde você andou cara? Estamos há um tempão tentando falar com você! Eu sei que o liberei! Mas...
          - Fica calmo chefe! Meus olhos ainda estão no lugar! Não vai ser muito fácil eles me agarrarem, não! PC é um osso duro de roer!
             Quando ele termina de adentrar a sala, Souza se assusta com o estado dele e fala:
          - Meu Deus! Cara, você está todo sujo! Todo rasgado! Você está com a cara... De quem está com ressaca?
          - Não chefe! Ressaca não!
            Nisso Lucinha entra nervosa. Quando depara com PC naquele estado, fica assustada. Ao invés de demonstrar preocupação, dá a maior bronca no repórter:
         - Porra PC! Você está de sacanagem com a gente? Todos nós preocupados e você me chega desse jeito! Ainda está de porre? Cara! Procuramos você por toda a cidade! Falamos com o delegado Carlos e fomos até no necrotério! Falamos com Deus e o diabo!
         - Calma meu anjo.
         - Calma? Já são três horas da tarde!
         - Deixa-me explicar? Estou vivo por milagre. Entrei numa tremenda fria ontem. Quatro caras me cercaram. Eles quase me atropelaram. Pegou-me de leve, cheguei até a cair, mas consegui me levantar e correr. Por sorte veio um taxi e consegui fugir. Pedi para o cara me levar para longe aqui do centro. No meio do caminho lembrei de que o melhor lugar para me esconder, seria numa delegacia. E assim fui parar na delegacia do delegado Adolfo. Mas ele não estava naquela hora, estava o adjunto. Contei a história para ele e rapidamente já estávamos na rua: eu e dois policiais civis. Rodamos a madrugada toda, procurando pelos bandidos, mas não achamos ninguém. Fiquei com medo de ir para casa, então pedi ao delegado um lugar para dormir. E dormi tudo que tinha direito e mais um bônus. Há muito tempo que não dormia tanto. Mas agora não sei pra onde vou. Voltar pra casa, nem pensar! Os caras sabem onde moro! Foi pertinho do edifício que alguém tentou me apagar! Chefe essa é a minha história!
            Todos os amigos estavam impressionados com o relato de PC. Dessa vez acreditaram na história dele. Tendo em vista que estavam presentes quando ele foi ameaçado pelo maníaco dos olhos azuis. De outras vezes, quando chegava molambento, era confusão com mulheres.  Contava umas histórias de cerca Lourenço, para ficar bem na fita. De vez em quando repetia a mesma história. Brigou com pivete, na saída de um bar; salvou uma velhinha que tinha sofrido um acidente e etc. etc. Mas sempre quem parecia acidentado era ele mesmo.
           Souza esperou PC fazer todo o seu relato. No final pediu para ele colocar a história no papel. Em seguida anunciou que ia dar uma notícia boa. PC que ainda estava cabisbaixo, assim mesmo deixou escapar um leve sorriso. Depois pediu para que ele desse a tal notícia. Souza sentou-se e disse:
          - Senta aí, PC. Pode relaxar. A notícia é boa. Esse foi o motivo de termos procurado você. Acreditamos que o caso será, finalmente, esclarecido.
          - Como é que é? Será que escutei direito? Pode repetir chefinho?
          - A polícia conseguiu botar a mão em um dos bandidos. O delegado Carlos me disse que o cara é quente. Não é coisa pequena, não! Ele falou que foi pura casualidade a prisão do meliante. O detetive Duílio estava na pista de um traficante. Pegaram o cara e uma quantidade imensa de cocaína. Só que a cocaína é, nesse momento, a coisa menos importante.
        - Por quê?
         - Por quê? O delegado me ligou a menos de meia hora e disse que quer falar com você. Vou adiantar, mais ou menos, o motivo da sua presença: o seu nome estava num papel que acharam com o traficante. E você estava marcado pra morrer.
        - Caraca!  Cheguei a me arrepiar! Então esse pode ser um dos que atentaram contra a minha vida? Só pode ser! Chefe! Vou já, já pra delegacia! Lucinha se prepara que hoje você vai comigo! Barcos ao mar! Vamos zarpar que vem tempo de calmaria!
          - Mas desse jeito? PC você está parecendo um mendigo! Não vai tirar esse trapo, não?
           - Puxa! É mesmo! Vamos passar lá em casa rapidinho! Ih! Perdi até o medo! Vamos lá Lucinha? Não. É melhor você esperar aqui em embaixo. Na volta eu te pego.
           - E você acha que estou com medo? Pode tirar o cavalinho da chuva! Estou contigo e não abro! Vou junto! Já que Marcão não veio hoje, estou dentro!
          - A nossa doce menina! Que de doce não tem nada! Tudo bem! Vamos nessa!
             PC passou no seu apartamento, tomou um bom banho e encontrou com Vermelho e Lucinha que estavam a sua espera, na frente do edifício. Entrou no carro e a repórter começou a espirrar. O seu perfume paraguaio tomou conta do veículo. Lucinha saiu do carro reclamando:
         - Porra PC! Além do uísque paraguaio - aquela droga! – e, agora, essa bosta de perfume! Que pelo jeito, também é paraguaio!      
         - Caraca Lucinha! Rejeição pelos produtos daqueles hermanos? Até parece que essa droga que você usa é francês! Deve ser também chinês! A procedência é a mesma, só que o meu passou pelo Paraguai!  
         - Como é que eu vou entrar nesse carro?
         - Vai a pé? Não vai! Então entra e bota a cara pra fora da janela!
         - Também vou espirrar em cima de você!
         - Você acostuma! Até parece que é a primeira vez que acontece isso! Esqueceu que você achava bom?
         - Vamos parar por aqui, tá legal? Isso foi há muito tempo! Agora o tempo é outro! 
            Finalmente Lucinha entra no carro, apesar dos protestos, mas bota a cara na janela. Ela acabou aceitando a sugestão de PC. Vermelho dá partida no carro e vai rumo à delegacia. Naquele momento, só o motor fazia barulho. O silêncio estava selado entre eles. PC olha para os seus rabiscos, que às vezes não entende, mas que consegue decifrar mergulhando na memória.  E foram até o destino sem trocar uma palavra sequer. Parecia que estavam brigados, mas era sempre assim. Não demorava muito e lá estava ela soltando farpas, com as suas provocações. 

           Na porta da delegacia tinha uma vaga, que parecia ter sido guardada para eles. Vermelho parou, mas preferiu não sair. Com certeza ia tirar uma soneca. PC olhou para Lucinha e os dois riram. Com o riso, já tinham voltado às boas. E PC coloca a mão no ombro dela e entram os dois na delegacia. 
                 Continua na semana que vem...