sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O Filho do Poder - Parte 7

 


Continuando...

         O silêncio de repente tomou conta do ambiente. Quim não recebendo mais nenhuma palavra do irmão, ficou preocupado e parou de mexer na mulher acidentada. Tentou olhar por alguma nesga para ver se via Toni, mas o teto do lado oposto estava completamente destruído. Chamou de novo por ele e nada de resposta. Então pensou em dar a volta no carro para ver o que tinha acontecido. Mal se movimentou, Toni, que estava de frente para a porta do motorista, gritou:

          - Quim! Quim! O motorista está todo arrebentado também! Meu Deus! Nossa mãe! O cano da arma furou a sua garganta! Ih! Tem outro! Esse está com as ferragens entalada até o gogo! Mano, vem cá! Vem rápido! Meu Deus!

         - Calma Toni! Para de gritar, que eu não sou surdo! Estou vendo. Estou aqui. Estou vendo se cuido da senhora que está dentro do saco, já que ela está viva.

         - Depois ajudamos ela, já que sabemos que está viva. Mas agora vem aqui!  Vem logo! Tem uma criança aqui também. Ela está imprensada entre o cara e as ferragens.  

         - Ela está viva? Bota a mão em cima do coração. Estou indo.

         - Vou tentar entrar. Vou esticar o meu corpo até onde der. Abrir a porta, é impossível. Vou pela janela, que está com o vidro arriado. Acho que é o único que não estava fechado. À droga é que vou ter que me esfregar nesse cara todo ensanguentado. Acho que o miolo dele tá até pra fora. Que nojo, mano!

         - Tá com medinho?

         - Que medinho o quê! Está bom. Vou virar a cara para o outro lado. Já estou indo. Agora dá pra botar a mão nele. Bom sinal, Quim. O coração está batendo. O coitadinho parece que está dormindo, mano. Está até ressonando.

          - Que dormindo o quê! Ele deve estar é desmaiado! Espera que eu vou até aí te ajudar.

                    Quim vai até onde está o irmão, que nesse momento já está com a metade do corpo dentro do veículo, deixando apenas as pernas para o lado de fora. Ele chega, olha para dentro do veículo e bota uma das mãos na perna esquerda do irmão.

          - Toni, - fala com um ar de autoridade -  temos que tirar logo essa criança aí de dentro. Estou preocupado com esse caminhão que está incendiando. Se explodir, vai pegar aqui no carro também. Não sei como ainda não explodiu.

          - Mas é claro, sabichão. Temos que ser rápido. Viu como ele está imprensado? Percebeu, não?

          - Claro, gênio! Sei que tirar ele pela janela vai ser muito difícil! Vamos tentar abrir a porta. Acho mais viável. Mas esse cara aqui – apontando para o cadáver do homem na direção – tem que sair primeiro, pra gente poder tirar o garoto. Vamos lá?

          - Quim, - já tirando o seu corpo do veículo – é claro. Mas será que a porta vai abrir? Ela tá pra lá de emperrada. Está toda empenada. Olha só que tortura.  É difícil pra você entender, mano?  Mas, como você já falou, se não tentarmos, não vamos saber. Tem que ser macho! Força, mano!

         - Macho. Até parece.

         - Até parece o quê? Não se garante? Eu me garanto! – batendo no peito.

         - Ih! Que papo estranho é esse, Quim? Claro que me garanto!

         - Então mãos à obra! – Quim solta um riso forçado.

                      Os dois se empenham ao máximo. Força não é o que falta. Toni demonstrando o seu esgotamento, respira fundo, mas diz para o irmão que não vai desistir:

          - Quim, não vamos fugir da raia. Temos que tirar esse garoto daqui de qualquer jeito. Me deixa respirar mais um pouquinho. Ufa! Já estou pronto de novo. Mas antes, mete a mão por dentro e destrava à porta.

          - Mas do jeito que ela está emperrada, essa trava não adianta mais de nada.

          - Mas destrava. Vamos lá.

          - Está bem. Você entende de tudo, né?

          - Deixa de besteira. Mete a mão dentro do carro. Eu não quero nem olhar pra cara desse sujeito todo arrebentado.

         - Tá com medinho, né?

          - Que medinho o quê. Não insiste com isso. Deixa de bobeira. Estamos perdendo é tempo.

 Continua Semana que vem!

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