Buraco Negro
- José Timotheo -
Aonde está o caminho?
Só vejo atalhos
Estradas partidas
E afogadas de dúvidas
E dívidas
Uma via sem passantes
Mas congestionadas de intrigantes
Embriagando-se às margens do mundo
Ou submundo
Comemorando nada
Ou a dor dos peregrinos
Não moram debaixo de sonhos
Não dão chances a esperança
Abraçam uma vida nua
Nas sombras das tristezas de quem sonha
Voam, voam
Atacam os bolsos alheios
Mesmo na claridade do dia
Não precisam da escuridão
Essa é a verdade
Pois já são a própria treva
Bolso vazio, para onde seguir?
Miro o firmamento, já não tão firme assim
Mas olho, mesmo sem sonhos e esperanças
E continuo olhando até não poder mais
Não paro um segundo de rezar
Já é um pedido de socorro: SOS
Mas ninguém nos socorre
Corre! Corre
É só isso que nos resta?
Depois de tantas súplicas
Concluo que estamos num buraco negro
Da nossa história, já cheia de histórias duvidosas
Mestre! Mestre
Em quem acreditar agora?
fim

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