Continuando...
O
falso patrulheiro Blanco ficou um tempinho parado sem ação. Não sabia o que poderia ser, mas como conhecia
o amigo, não tinha outra coisa a fazer, a não ser sair sem questioná-lo. Então
girou nos calcanhares e foi em direção a porta do posto. Entrou, chamando por
Mário, e sumiu temporariamente das vistas de Toni e de Pereira.
- O senhor é... – perguntou Pereira.
- Toni. Meu nome é Toni. Esse é o meu apelido.
O meu nome mesmo é Antônio.
- Você observou se tinha algum movimento por
lá?
- Nada. O local estava deserto.
Viemos até aqui sem ver nenhum veículo. Não passamos por ninguém. Nem uma viva
alma.
- Viu se tinha alguma criança no carro?
- Não. Nós não chegamos muito perto, não.
Só vimos mesmo um cara que estava do lado do motorista. Esse que estava com a
arma saindo pela janela. Mas o motorista já estava deitado no asfalto. Não deu
nem pra ver a cara dele, estava toda deformada. Na traseira não deu pra ver se
tinha alguém, porque, por incrível que pareça, o teto afundou de um jeito que
não dava pra ver nada. Mas tinha outro
corpo, junto com uma arma, ali deitado no asfalto também. Se tinha alguma
criança, infelizmente, deve ter morrida queimada. Coitadinha.
Quando Toni acabou de fazer a sua
narração, Blanco já vinha chegando apressado e interrompendo a conversa dos
dois.
- Pereira, Pereira vamos logo que eu
estou muito curioso! Já falei com Mário! Ele disse que segura as pontas! – Blanco falou meio afobado, mas com um leve
sorriso de canto de boca - Sabe que ele ainda estava no outro banheiro?
- Não sei porque o cara demora tanto pra
cagar! Você entrou em detalhes com ele, Blanco?
- Não. Ele só disse que segurava às pontas.
Falei que era um acidente. Só isso. Nem perguntou aonde era. Explicar o que
para ele? Você sabe que ele é muito ruim de jogo. Não abri nada, nada. Ele é do
tipo que morre teso, mas não perde a pose. Ele pensa que pose enche a barriga.
Coitado. Vai morrer duro.
Pereira então pede para o
parceiro pegar a viatura, e se vira para Toni e fala:
- Pode ir. Tá tudo certo.
- O senhor não vai dar uma olhada na nota
não?
- Está tudo certo. Hoje estou de coração
mole. Me deve essa! Ouviu?
Toni agradece e sai de mansinho
em direção ao caminhão, sem olhar para trás.
Mas o falso patrulheiro não o perdeu de vista, nem por um segundo, até
que entrasse no veículo, desse a partida no motor, fosse entrando na estrada e
se afastando do posto policial.
Automaticamente Pereira saca de um caderninho
e anota o número da placa do caminhão. Nisso Blanco já encosta a viatura,
Pereira entra e rapidamente se afastam do posto, em direção ao sinistro. No
meio do caminho Pereira se dirige ao
amigo:
- Blanco, vamos rápido. Espero que ninguém
tenha chegado lá. E que papo é esse de Mário?
- Tinha que inventar. Como é que a gente ia
abandonar o posto?
- Boa tirada, Blanco. Não entendi, mas
entrei na sua onda.
- Pereira, você está achando que pode
ser...
- Eu estou achando sim, - interrompe o que
o amigo está falando - mas pode ser apenas um palpite. Pensa bem, quem é que
vai andar com escopeta, assim? É a polícia ou o bandido? Aposto mais na opção dois. Se fosse um veículo
policial o caminhoneiro ia identificar. Se o meu palpite estiver certo, a gente
tá feito.
- Mas, Pereira, tem um problema.
- Que problema, Blanco?
- Estou pensando aqui numa coisa. Se o carro
explodiu, não sobrou ninguém. Eu ouvi quando o caminhoneiro falou pra você. Se
não sobrou ninguém, não adianta nada. Pra que serve o garoto morto? E nós só
tomamos o posto para esperar o pessoal de Ramiro, com a criança, e pega-los. Agora não faz mais sentido.
- É claro que faz sentido. Qual é o problema
se o garoto morreu ou não? Ninguém precisa saber que o garoto está morto. A
gente chega lá e limpa o local. Se tiver sobrado alguma coisa, a gente recolhe.
Não podemos deixar nada que identifique o veículo. Vamos apostar na sorte.
Vamos torcer para que não tenha passado ninguém por lá. Acelera essa droga,
Blanco!
- Será que vai dar certo?
- Mas é claro que vai! Otimismo Blanco! Vamos
nos dar bem nessa! Estou contando com o meu amigo lá do Acre. Ele tem
penetração no grupo de Pablo.
Continua na Semana que vem!