Continuando...
Enquanto o empresário ligava para o amigo, Toni se levanta e vai até a porta, que ainda estava aberta, e viu que o empregado da empresa carregava a sua carreta. E pelo jeito, era o último amarrado. Coçou a cabeça e percebeu que não tinha mais como desistir do frete. Era aquilo ou aquilo mesmo. Voltou desanimado para a sua cadeira, quase se jogando no assento. Neste instante o empresário já tinha terminado de falar com o amigo e antes que Toni perguntasse alguma coisa, ele foi logo falando:
- É Toni. Alguém já levou a carga. Mas não tem problema não, quando você chegar à capital, em Palmas, fala com Tadeu que ele tem sempre carga para ser transportada. Eu vou ter que ligar para ele mesmo, então eu já recomendo você. Com certeza já vai ter frete te esperando pra qualquer lugar que quiser. Pode ficar tranquilo. Até o seu retorno para o Rio de Janeiro, vai estar garantido.
- Verdade? Pra qualquer lugar mesmo? Até para o Acre?
- Vocês topam pra qualquer lugar, então?
- Claro que sim. Se tiver pra China, a gente vai! – sorrir sem muita convicção.
- Olha que eu arranjo pra lá também! – concluiu Honório, com um sorriso debochado.
- Brincadeira, seu Honório. Brincadeira. Pra China não dá pé. É só um modo de falar.
- Mesmo dispensando a China, eu gostei de você. Eu gosto de gente que não rejeita trabalho. Você é dos meus. Vocês vão chegar lá e vão encontrar carga para transportar. Pode levar fé.
- Claro que eu levo. Muito obrigado. O senhor nem imagina como está ajudando a gente.
- Você é que não sabe como está me ajudando. É uma mão lavando a outra. Não é assim que se fala? Boa viagem. Na volta, espero vocês.
- Até mais ver, seu Honório.
Toni falou e foi saindo do escritório, mas não percebeu que o empresário saiu logo atrás dele, indo em direção ao seu funcionário que já se postava no portão esperando que os caminhoneiros saíssem, para em seguida fecha-lo.
Mal Toni abriu a porta do carona, encontrou o irmão cuspindo ansiedade.
- E aí mano, o que é que ele falou? Disse direitinho o preço? Quanto foi? Mas vou deixar registrado: não fui com a cara do cara que entupiu a nossa carreta de garrafa pet vazia. Ele tem cara de bandido.
- Calma Quim. Calma. Você vê fantasma em tudo que é lugar. Às vezes o cara é gente boa. E sobre o negócio com o seu Honório, a gente fala depois.
- Mas como vai falar depois? Por que o segredo?
- Tá tudo certo. Depois eu explico sobre o valor do frete. Só vou dizer que fui obrigado a aceitar. Mas vamos ser compensados quando deixarmos essa carga. Já tem outro frete esperando a gente.
- Legal, Toni. Muito legal.
- Não fica murcho não. Vamos embora, pois já ficamos mais tempo do que o necessário. Tem muito chão pela frente. Bota o caminhão em movimento. – Toni disse a última frase com a preocupação estampada no rosto.
Quim liga a carreta e vai saindo bem devagar de ré. Faz a manobra e coloca a dianteira no vão do portão. Ao passar, Toni acena para o empresário e também para o empregado. Do lado de fora, dá um suspiro profundo e faz o sinal da cruz. O irmão achou estranho e indagou:
- Ué, o que houve? Esquisito isso.
- Tudo bem.
- Tudo bem? Está tudo bem, uma ova! Não gostei nada, nada o que o empregado lá do homem fez! Mal você entrou no escritório, ele foi colocando as garrafas na carroceria! Fiquei olhando pra ele e ele deu a mínima pra mim! Você não ia ver o preço primeiro?
- Ia. Vi e aceitei o preço. Mas também não ia ser diferente. Lá dentro cheguei à conclusão que não podíamos mais desistir. Ele me deu até a opção da desistência, mas senti que era da boca pra fora.
- Será que ele é barra pesada?
- Sei lá. Mas fiquei com medo.
- E qual foi o preço?
- Quim, olha dentro do envelope. – Toni estica o braço e passa o envelope para Quim.
Continua na Semana que vem!

