Continuando...
Enquanto Ivan e Ferreira conversam, vamos voltar lá ao local do acidente. Pereira acaba de falar com Ivan e se dirige para o amigo:
- Blanco, não acharam o garoto. Pra onde levaram o menino? Ivan disse que o tal de Quim ficou em Barreiras. O garoto deve ter ficado com ele.
- Será? – Blanco pergunta, deixando escapar um sorriso, que o amigo não entende.
- Qual o motivo do riso?
- Luca. Meu nome não é Blanco e nem o seu é Pereira.
- Pará, eu sei, mas estou procurando me acostumar com o nome dos caras. Pegamos os nomes deles e não podemos vacilar. Agora em relação ao garoto, segundo o que o patrulheiro disse, pode ser que sim, como pode ser que não. Mas pra tirar a dúvida temos que ir lá. Ou ficar com o plano B.
- Pereira será que esse plano pode dar certo?
- Tem que dar. Mesmo ficando com esse plano, vale a pena conferir lá em Barreiras. Mas mesmo assim vou ligar para o meu amigo do Acre. Vou mandar logo ele ir negociando. Pra todo efeito o garoto está com a gente.
- Com dois patrulheiros? Não vai dar certo.
- Blanco, mas quem foi que disse que o garoto está com dois patrulheiros? Eles não vão identificar a gente. Não somos patrulheiros.
- Pereira e se o menino aparecer?
- Estou apostando que até ele aparecer, a gente já pegou a grana. Mas se por um acaso ele aparecer antes, a gente sai da história.
- Aí sim. Mas...
- Mas o quê?
- Pereira, e Rufo?
- A gente explica a ele. Estamos fazendo a nossa parte, mas se alguma coisa der errada...
- Mas já está dando. – Blanco interrompe o amigo.
- Você está pessimista. Vamos apostar no fato que ninguém sabe que o garoto morreu no incêndio. Vamos pegar a grana e levar para Rufo.
Toni continuava trafegando em baixa velocidade. A sua atenção, naquele momento, era toda para a margem da estrada. Depois esticou o olhar para mais à frente e viu que o matagal cobria uma grande faixa de terra. Coçou a cabeça, demonstrando preocupação. Percebeu, então, que o grau de dificuldade para encontrar o irmão e o menino era bem maior do que tinha imaginado. Nesse momento a sua expressão facial mostrava o quanto estava tenso. Com os olhos cravados no matagal, de repente lembrou-se do posto policial. Deu um soco no volante e olhou pelo retrovisor, mas para sua surpresa o posto da Patrulha Rodoviária tinha sumido da sua visão. Imediatamente um leve sorriso brotou dos seus lábios, fazendo com que o seu rosto afastasse o medo que ia na sua alma. Respirou mais aliviado. Mas por precaução ia andar mais um pouco até poder parar com segurança. Quando se sentiu seguro encostou o caminhão. Desceu e foi olhando para dentro do mato. Caminhou um pouco pelo acostamento, parou, coçou a cabeça e falou baixinho:
- Aonde se meteu Quim? Será que se perdeu no mato? De repente até já passei por ele. Já andei mais de um quilômetro. Será que eles andaram isso tudo?
Ele continuou caminhando. De repente, mais à frente, viu um braço levantado, balançando nervosamente. Ele quase que gritou. Mas conseguiu controlar a emoção até chegar ao local. Ali sim, vendo o irmão e menino arriados no mato, não conseguiu sufocar o grito.
- Graças a Deus! Graças a Deus! Pensei que vocês estivessem pedidos dentro desse mato! Vamos logo, vamos! Não. Não. Fica aí. Vou pegar o caminhão e vou vir até aqui em baixa velocidade. Mano continua aí arriado com o garoto. Não se levanta, Quim, por favor!
Toni voltou rapidamente para a carreta. Mantendo a velocidade baixa chegou até o local que estava o irmão. Rapidamente abriu a porta e, mais rápido ainda, o irmão jogou o garoto para dentro da cabine e entrou como um relâmpago com o caminhão em movimento. Já sentado, mas com o coração em frangalhos, tentou falar alguma coisa, entretanto a voz não quis sair. Toni então mandou que ele respirasse fundo, até se acalmar. Depois ele contaria como tinha sido aquela aventura dentro do mato.
Continua Semana que vem!


