Continuando...
Toni desce do caminhão e vai ao encontro
de um frentista, o mesmo que tinha abastecido o seu caminhão. Aproxima-se e
toca no ombro do rapaz.
- Meu irmão, - botando uma dose de
humildade na voz – por gentiliza, você podia me dá uma informaçãozinha?
- Oi, pois não.
- Ainda agorinha eu falei com um senhor. Eu
não sei o nome dele. Ele até me ofereceu uma carga. Você viu?
- Vi sim. Eu conheço ele. É o seu Honório. Gente
boa.
- Ele foi embora?
- Foi não. Ele foi lá para a lanchonete.
Mesmo se ele já tiver saído, coisa que eu duvido, não tem problema, o galpão
dele é aqui pertinho.
- Valeu, meu irmão.
Toni
vai até o caminhão e fala com o irmão:
- Aí Quim. Espera aqui mesmo e observa o
garoto. Acho que não vou demorar. O cara está na lanchonete. Agora é só torcer.
-
Tudo bem, mano. Sucesso. Mas eu vou encostar o caminhão ali. – Apontando para a
única vaga do lado da lanchonete.
Depois
de conversar com o irmão, Toni se dirige para a lanchonete. Para na porta e
passa os olhos pelas mesas. Observa que mais da metade está ocupada. Mas lá no
canto, estava a pessoa com quem ele queria falar. Entretanto a sua esperança estava em xeque. Imediatamente
fez uma cara de desanimo, ao ver que o senhor conversava com um sujeito
grandalhão, que, com certeza, era um caminhoneiro.
- Que droga. - pensou - Perdemos a carga.
Mas de repente uma chama brilhou nos seus
olhos. Pensou novamente:
- Não vou desistir. Essa é a nossa salvação.
Vou lá. Se preciso for aceito até um valor menor.
E tomado de coragem e otimismo, se
encaminhou, pisando firme, até onde está o tal senhor. Mas antes de se aproximar,
o grandalhão se levantou e foi juntar-se a outra pessoa numa mesa afastada. Aí
ele deixou escapar um leve sorriso e determinado, pede licença e senta-se na
cadeira em frente ao seu Honório, que sorri e balança a cabeça afirmativamente.
Toni então dá uma suspirada e, sem titubear, entra logo no assunto que o levou
ali.
- Seu Honório, eu aceito a oferta. Está de
pé o que o senhor ofereceu?
- Infelizmente já conversei com outro. Aquele
caminhoneiro ali – apontando para uma mesa próxima – me disse que ia pensar. Se
ele desistir, a carga é sua. O que fez você resolver pegar?
- É. Nós mudamos nosso roteiro. Resolvemos
passar por dentro de Palma.
- Então, espera aqui. Qual o seu nome
mesmo?
- Toni. Antônio. Pode me chamar só de Toni.
- Tá bom, Toni. Vou perguntar a ele.
- Eu pensei que fosse aquele grandão.
- Aquele é só meu amigo. De vez em quando,
segurança.
- É! O cara é forte, mesmo!
- Fica aqui. Não senti muita firmeza nele,
não. Disse que a grana é pouca. O cara
tá sempre querendo mais. É assim mesmo! Eu até falei pra ele que depois, de
repente, arranjava outro frete para compensar esse.
- E o senhor arranjou?
- Falei com um empresário amigo meu, mas a
mercadoria não está aqui, está no outro galpão dele a pouco mais de 20 km
daqui. É só entrar nessa estrada aqui ao lado do posto e ir em frente. É uma
estrada ruim, mas, devagar, dá pra ir bem. Uma vantagem para quem pegar, é que a
carga dele vai pra perto, de onde vai a minha. As minhas garrafas pets tem que
ir hoje e acho que a carga dele também. Dá pra levar as duas cargas, mole,
mole. Vai compensar.
- Eu topo. Espero aqui a resposta.
Toni estava visivelmente tenso, esfregava
as mãos sem parar. Os pés, por debaixo da mesa, não paravam no mesmo lugar. Ele
olhava discretamente para a mesa que estavam os caminhoneiros e Honório
conversando, e tinha a sensação que o papo já estava demorando uma eternidade.
Tentou esticar a orelha para ouvir alguma coisa, mas não conseguiu captar nada.
Quando Honório apertou a mão dos dois e saiu, teve a sensação que o coração ia
sair pela boca. Procurou segurar a
ansiedade e esperou sentado até que o empresário voltasse. Mas nem esperou que
Honório se sentasse e foi logo perguntando:
- E aí, seu Honório? Tenho chance?
- Fica tranquilo. Eles queriam que eu
pagasse mais, mas como eu não aceitei, eles desistiram.
- Então é minha?
- É só botar no caminhão.
- E a nota fiscal?
- Está tudo legal. Vamos pegar a carga lá no
meu galpão, junto com a nota fiscal. É aqui perto. Pode me acompanhar?
- Ah sim! Claro! A gente segue o senhor. E
a outra carga?
- Vou ligar para o meu amigo e você vai lá e
pega a dele.
- Ok. Já vou seguir o senhor.
Continua na Semana que vem!