terça-feira, 5 de maio de 2026

O Filho do Poder - Parte 25

 


Continuando...

            Enquanto os bandidos pegavam a estrada, na direção oposta ao dos caminhoneiros, Toni se afasta do posto da Patrulha Rodoviária Federal o máximo que pode. De vez em quando dá uma olhadinha pelo retrovisor. Era visível a sua tensão.

                Quim acha estranho ele entrar, pegar o volante e sair sem falar nada. E nem sequer olhar para ele. Já estava a mais de quinze minutos dirigindo e ainda continuava mudo. Quim começa a torcer a boca, demonstrando um certo desagrado. Encara o irmão fixamente, esperando que ele solte a língua, mas nada. Toni ignora-o. Ou talvez, devido a sua preocupação, não percebe que está sendo olhado insistentemente por Quim. Parece até que está sozinho na carreta. Mas a verdade é que o irmão desconhece o fato dele estar agindo assim.  A preocupação era grande para ele não tirar os olhos do retrovisor. Tinha que vigiar a estrada, principalmente a retaguarda. Mas pelo olhar de Quim, dava para ver que a sua paciência já estava chegando no limite. E foi o que aconteceu: deu um soco no braço de Toni.

          - Ei Toni, o que é que está havendo? – indagou raivoso - Você entrou mudo, pegou o volante e até agora não falou nada! Parece até que está fugindo da polícia!

          - Puxa Quim! O que é isso? Que soco! Tá maluco?

          - Desde que entrou no carro não falou nada! O que está havendo? Respondeu o que te perguntei? Não, né?

          - Estou fugindo da polícia, sim! Gostou de saber?

           - Como assim? Você foi lá para resolver o negócio do garoto e de repente me fez um sinal, me mandando voltar para o caminhão. Eu não sei o que houve, mas resolvi descer primeiro e depois pegar o garoto.

           - Fez bem. Fez muito bem. Sorte que você entendeu o meu sinal e deixou o garoto escondido. Você nem sabe o que eu escutei.

           - O que foi. Conta logo! Vai, conta logo!

           - Foi a maior sorte não ter levado o garoto. Escuta só. Quando eu ia chegando na porta, os patrulheiros – falsos patrulheiros -  estavam falando sobre o sequestro do garoto. Escutei o nome do menino. Quer saber?

           - Claro! Mas me explica primeiro esse negócio de falsos patrulheiros.

           - Mano, aqueles caras são bandidos! Os verdadeiros patrulheiros estão presos lá dentro da cabine! São três bandidos. Aqueles dois foram até o acidente para ver se encontram o menino.

           - Verdade, mano? Invadiram o posto e tomaram o lugar dos patrulheiros? Que fria que entramos! E aí, como é o nome do menino?

           - Ele se chama Carlos Hernandes. Ele é filho de um traficante. Um tal de Pablo.

           - Chi! Que enrascada a gente está entrando, Toni!

           - Também acho. Acho que já entramos e isso é o pior. Eu descobri que o negócio é briga de gangues. Mas você não sabe da maior.

         - O quê? Fala logo!

         - Vê se o garoto está dormindo.

               Quim gira a cabeça e olha para trás, e observa que o garoto está de barriga para cima e ressonando. Então avisa ao irmão:

          - Toni, pode falar, pois ele está na maior soneca. Ficar desligadão assim deve ser bom, né? Está tudo desabando e nem percebe nada.

          - Sei lá se é bom. O garoto foi sequestrado, quase morreu num acidente e depois tem outros querendo pegar ele de novo. Como isso pode ser bom?

          - Quem está querendo sequestrar ele?

          - Então, eu escutei os falsos patrulheiros falarem que vão pegar o garoto e pedir um resgate por ele.

          - O quê que é isso? O coitadinho já foi sequestrado, passou por momentos difíceis e agora vêm esses falsos policiais querendo fazer mais essa maldade! Isso não pode, Toni. O garoto ia ser sequestrado por outros sequestradores. Sequestrado duas vezes?

               Como é que pode homens da lei serem criminosos? Infelizmente é isso que a gente vê: uma minoria de maus policiais sujando o nome da corporação.

          - Mas eles não são policiais, Quim. São bandidos.

          - Esqueci, Toni.

          - Quim, sabe que eles vinham para olhar a documentação e a carga? E descaradamente ainda falaram que iam arrancar uma grana da gente?

          - Pilantras!

          - Pior que iam achar o garoto.

          - Ih! Iam mesmo! Por que desistiram?

          - De repente veio na minha cabeça – só pode ser coisa de Deus – o acidente. Pra eles ficarem mais animados, falei das armas que estavam no carro.

          - Toni, e agora? Acho que você não devia ter falado nada.

          - Se eu não tivesse falado do acidente, ia ser pior. Se achassem o garoto aqui? A gente estava fritinho da silva. Você está pensando que eles iam deixar a gente em pé? Oh. Quim. A gente ia esticar as canelas, isso sim. Pensa bem. O que é que eles vão achar no acidente? Nada. Nada, Quim. Explodiu tudo. Não foi isso?

          - Com certeza. Mas realmente espero que não achem nada. Senão, estamos fritos mesmo.

 Continua Semana que vem!

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