terça-feira, 19 de maio de 2026

O Filho do Poder - Parte 27

 


Continuando...

          E pensa numa coisa: ninguém vai precisar saber da morte do garoto. Pra todo efeito, ele está vivo.

          - Será que vai colar?

          - Claro que vai. Vou ligar para o meu camarada lá do Acre. Só quero saber se realmente houve sequestro. Se confirmar, a gente age. E você liga pra Rufo, ele deve tá sabendo de alguma coisa, já que ele mandou a gente invadir o posto policial.

          - Mas já não houve uma divulgação, mesmo que sigilosa?

          - Houve, mas pode ser fake.

          - Será?

          - Blanco, pra gente entrar em um negócio não pode pintar nenhuma dúvida.

          - Você está certo, Pereira. Então não é melhor a gente ir tirando essas armas daqui?

          - É isso aí. Mas não deixa de olhar tudo. Não podemos deixar nada que possa identificar o veículo, pelo menos rápido. O que a gente puder para dificultar a identificação, a gente faz. Vê se a placa está toda destruída. Se não tiver, arranca ela. Olha tudo com cuidado. Enquanto você faz isso, eu ligo para o meu amigo. Estou pensando aqui numa coisa: aproveita e bota esses dois, aí dentro do carro e bota fogo.

         - Puxa!

         - Qual é, vai recuar? Eles já estão mortos mesmo!

         - É você tem razão. Mas eu preciso da sua ajuda. Sozinho eu não vou conseguir.

        - Tudo bem. Só temos que ter cuidado pra gente não se sujar.

        - É isso mesmo.

              Depois de colocarem os dois corpos dentro do carro e atearem fogo, Pereira vai até a viatura, encosta-se na porta, saca o celular do bolso, olha para o céu, fala alguma coisa inaudível, e depois começa a discar o número do telefone do amigo. De repente começou a demonstrar impaciência. Já era o quarto toque de chamada e nada de escutar a voz de quem tanto esperava ouvir. Desligou o telefone e deu um soco na lataria do carro. Em seguida falou baixinho:

         - Jorjão, atende essa merda!

            Acabou de falar e imediatamente fez nova ligação. Esperou o primeiro toque. Mas no segundo, uma voz grave, também impaciente e mal-educada, falou do outro lado:

          - Alô. Alô! Alô!

          - É Jorjão?

          - Claro! A sua mãe é que não é!

          - Ô mal-educado! Aqui é o Pereira! Você continua a mesma cavalgadura, hein!

          -  Ô meu brother! Como tá tu? Mas quem é Pereira?

          - Porra Jorjão, eu não te falei que o meu nome agora é Pereira? – respondeu irritado.

          - Luca, eu te conheci pela voz. Tinha esquecido do novo nome.

          - Tá legal. Eu tô bem. Tô bem. Me diga aí: alguma novidade?                

          - Tudo positivo.

          - Jorjão, então tá confirmado mesmo? O quê? Não entendi. Agora entendi. Então é o pessoal do Ramiro? É isso? Chi! A coisa vai feder! O quê? Ainda está em segredo?

               Nisso Blanco ouviu quando Pereira falou o nome de outro traficante e interrogou o amigo:

           - Pereira, foi o pessoal do Ramiro, mesmo?

           - Foi sim! Não Jorjão, estou só respondendo a uma pergunta de um amigo! Escuta essa: nós achamos um carro, que só pode ser do pessoal do Ramiro. O carro bateu numa carreta e explodiu. Cara, não sobrou nem pensamento! O quê? Não! Não dá pra identificar nada! Só deu, até agora, pra gente identificar as armas. Eram todas escopetas. E já tiramos todas dos destroços. Estamos olhando tudo, para não dar chance pra ninguém chegar até ao proprietário do veículo. 

               Mais uma vez Blanco interrompeu Pereira, no bate papo com o amigo.              

          - Pereira. Já tirei tudo. Acho que o que sobrou, não vai dar pra ser facilmente identificado pelos peritos. Eles vão revirar tudo, mas até a descoberta da numeração do chassi, vai demorar muito. Aí a gente levou a nossa grana.

          - Ótimo! Ótimo, Blanco! Não Jorjão, não é com você não! Estou falando com um amigo. Se é de confiança? Claro. Só tenho parceiro sangue bom. Ele já limpou o veículo todo. Com isso a gente vai ganhar um bom tempo. Como é que a gente vai levar uma grana em cima do garoto? Ele morreu. E daí? Ninguém precisa saber que o garoto está morto. Você fica aí pra intermediar a negociação. Segredo, hein! Depois a gente se fala. Um abraço.  

 Continua na Semana que vem! 

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