Continuando...
E pensa numa coisa: ninguém vai precisar saber da morte do garoto. Pra todo efeito, ele está vivo.
- Será que vai colar?
- Claro que vai. Vou ligar para o meu camarada lá do Acre. Só quero saber se realmente houve sequestro. Se confirmar, a gente age. E você liga pra Rufo, ele deve tá sabendo de alguma coisa, já que ele mandou a gente invadir o posto policial.
- Mas já não houve uma divulgação, mesmo que sigilosa?
- Houve, mas pode ser fake.
- Será?
- Blanco, pra gente entrar em um negócio não pode pintar nenhuma dúvida.
- Você está certo, Pereira. Então não é melhor a gente ir tirando essas armas daqui?
- É isso aí. Mas não deixa de olhar tudo. Não podemos deixar nada que possa identificar o veículo, pelo menos rápido. O que a gente puder para dificultar a identificação, a gente faz. Vê se a placa está toda destruída. Se não tiver, arranca ela. Olha tudo com cuidado. Enquanto você faz isso, eu ligo para o meu amigo. Estou pensando aqui numa coisa: aproveita e bota esses dois, aí dentro do carro e bota fogo.
- Puxa!
- Qual é, vai recuar? Eles já estão mortos mesmo!
- É você tem razão. Mas eu preciso da sua ajuda. Sozinho eu não vou conseguir.
- Tudo bem. Só temos que ter cuidado pra gente não se sujar.
- É isso mesmo.
Depois de colocarem os dois corpos dentro do carro e atearem fogo, Pereira vai até a viatura, encosta-se na porta, saca o celular do bolso, olha para o céu, fala alguma coisa inaudível, e depois começa a discar o número do telefone do amigo. De repente começou a demonstrar impaciência. Já era o quarto toque de chamada e nada de escutar a voz de quem tanto esperava ouvir. Desligou o telefone e deu um soco na lataria do carro. Em seguida falou baixinho:
- Jorjão, atende essa merda!
Acabou de falar e imediatamente fez nova ligação. Esperou o primeiro toque. Mas no segundo, uma voz grave, também impaciente e mal-educada, falou do outro lado:
- Alô. Alô! Alô!
- É Jorjão?
- Claro! A sua mãe é que não é!
- Ô mal-educado! Aqui é o Pereira! Você continua a mesma cavalgadura, hein!
- Ô meu brother! Como tá tu? Mas quem é Pereira?
- Porra Jorjão, eu não te falei que o meu nome agora é Pereira? – respondeu irritado.
- Luca, eu te conheci pela voz. Tinha esquecido do novo nome.
- Tá legal. Eu tô bem. Tô bem. Me diga aí: alguma novidade?
- Tudo positivo.
- Jorjão, então tá confirmado mesmo? O quê? Não entendi. Agora entendi. Então é o pessoal do Ramiro? É isso? Chi! A coisa vai feder! O quê? Ainda está em segredo?
Nisso Blanco ouviu quando Pereira falou o nome de outro traficante e interrogou o amigo:
- Pereira, foi o pessoal do Ramiro, mesmo?
- Foi sim! Não Jorjão, estou só respondendo a uma pergunta de um amigo! Escuta essa: nós achamos um carro, que só pode ser do pessoal do Ramiro. O carro bateu numa carreta e explodiu. Cara, não sobrou nem pensamento! O quê? Não! Não dá pra identificar nada! Só deu, até agora, pra gente identificar as armas. Eram todas escopetas. E já tiramos todas dos destroços. Estamos olhando tudo, para não dar chance pra ninguém chegar até ao proprietário do veículo.
Mais uma vez Blanco interrompeu Pereira, no bate papo com o amigo.
- Pereira. Já tirei tudo. Acho que o que sobrou, não vai dar pra ser facilmente identificado pelos peritos. Eles vão revirar tudo, mas até a descoberta da numeração do chassi, vai demorar muito. Aí a gente levou a nossa grana.
- Ótimo! Ótimo, Blanco! Não Jorjão, não é com você não! Estou falando com um amigo. Se é de confiança? Claro. Só tenho parceiro sangue bom. Ele já limpou o veículo todo. Com isso a gente vai ganhar um bom tempo. Como é que a gente vai levar uma grana em cima do garoto? Ele morreu. E daí? Ninguém precisa saber que o garoto está morto. Você fica aí pra intermediar a negociação. Segredo, hein! Depois a gente se fala. Um abraço.
Continua na Semana que vem!

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