terça-feira, 28 de abril de 2026

O Filho do Poder - Parte 24

 


Continuando...

        O falso patrulheiro Blanco ficou um tempinho parado sem ação.  Não sabia o que poderia ser, mas como conhecia o amigo, não tinha outra coisa a fazer, a não ser sair sem questioná-lo. Então girou nos calcanhares e foi em direção a porta do posto. Entrou, chamando por Mário, e sumiu temporariamente das vistas de Toni e de Pereira.

          - O senhor é... – perguntou Pereira.

          - Toni. Meu nome é Toni. Esse é o meu apelido. O meu nome mesmo é Antônio.  

          - Você observou se tinha algum movimento por lá?

          - Nada. O local estava deserto. Viemos até aqui sem ver nenhum veículo. Não passamos por ninguém. Nem uma viva alma.

          - Viu se tinha alguma criança no carro?

          - Não. Nós não chegamos muito perto, não. Só vimos mesmo um cara que estava do lado do motorista. Esse que estava com a arma saindo pela janela. Mas o motorista já estava deitado no asfalto. Não deu nem pra ver a cara dele, estava toda deformada. Na traseira não deu pra ver se tinha alguém, porque, por incrível que pareça, o teto afundou de um jeito que não dava pra ver nada.  Mas tinha outro corpo, junto com uma arma, ali deitado no asfalto também. Se tinha alguma criança, infelizmente, deve ter morrida queimada. Coitadinha.

                    Quando Toni acabou de fazer a sua narração, Blanco já vinha chegando apressado e interrompendo a conversa dos dois.

          - Pereira, Pereira vamos logo que eu estou muito curioso! Já falei com Mário! Ele disse que segura as pontas! –  Blanco falou meio afobado, mas com um leve sorriso de canto de boca - Sabe que ele ainda estava no outro banheiro? 

          - Não sei porque o cara demora tanto pra cagar! Você entrou em detalhes com ele, Blanco?

         - Não. Ele só disse que segurava às pontas. Falei que era um acidente. Só isso. Nem perguntou aonde era. Explicar o que para ele? Você sabe que ele é muito ruim de jogo. Não abri nada, nada. Ele é do tipo que morre teso, mas não perde a pose. Ele pensa que pose enche a barriga. Coitado. Vai morrer duro.

                Pereira então pede para o parceiro pegar a viatura, e se vira para Toni e fala:

          - Pode ir. Tá tudo certo.

          - O senhor não vai dar uma olhada na nota não?

          - Está tudo certo. Hoje estou de coração mole. Me deve essa! Ouviu?

               Toni agradece e sai de mansinho em direção ao caminhão, sem olhar para trás.  Mas o falso patrulheiro não o perdeu de vista, nem por um segundo, até que entrasse no veículo, desse a partida no motor, fosse entrando na estrada e se afastando do posto policial.

                Automaticamente Pereira saca de um caderninho e anota o número da placa do caminhão. Nisso Blanco já encosta a viatura, Pereira entra e rapidamente se afastam do posto, em direção ao sinistro. No meio   do caminho Pereira se dirige ao amigo:

          - Blanco, vamos rápido. Espero que ninguém tenha chegado lá.   E que papo é esse de Mário?

          - Tinha que inventar. Como é que a gente ia abandonar o posto?

          - Boa tirada, Blanco. Não entendi, mas entrei na sua onda.

          - Pereira, você está achando que pode ser...

          - Eu estou achando sim, - interrompe o que o amigo está falando - mas pode ser apenas um palpite. Pensa bem, quem é que vai andar com escopeta, assim? É a polícia ou o bandido?  Aposto mais na opção dois. Se fosse um veículo policial o caminhoneiro ia identificar. Se o meu palpite estiver certo, a gente tá feito.

          - Mas, Pereira, tem um problema.

          - Que problema, Blanco?

          - Estou pensando aqui numa coisa. Se o carro explodiu, não sobrou ninguém. Eu ouvi quando o caminhoneiro falou pra você. Se não sobrou ninguém, não adianta nada. Pra que serve o garoto morto? E nós só tomamos o posto para esperar o pessoal de Ramiro, com a criança, e pega-los.  Agora não faz mais sentido.

          - É claro que faz sentido. Qual é o problema se o garoto morreu ou não? Ninguém precisa saber que o garoto está morto. A gente chega lá e limpa o local. Se tiver sobrado alguma coisa, a gente recolhe. Não podemos deixar nada que identifique o veículo. Vamos apostar na sorte. Vamos torcer para que não tenha passado ninguém por lá. Acelera essa droga, Blanco!

          - Será que vai dar certo?

          - Mas é claro que vai! Otimismo Blanco! Vamos nos dar bem nessa! Estou contando com o meu amigo lá do Acre. Ele tem penetração no grupo de Pablo.

 Continua na Semana que vem!

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