Continuando...
Com a dúvida, se deveria bater ou não, ele segurou a maçaneta e encostou a cabeça na porta. De repente começou a ouvir uma conversa entre dois patrulheiros. O diálogo era o seguinte:
- Pereira. Olha só o que chegou aqui. Dá uma olhadinha na tela do computador.
- O que foi Blanco?
- Vem cá! É lá do Acre! É briga de cachorro grande! Mas a gente vai se dar bem nessa.
- É isso aí? Eu já sabia. Tem um camarada meu, de lá, que já me bateu toda a história. Ele faz uns servicinhos para um chefão do cartel e pra mim também. Faz jogo duplo. O traficante é um tal de Pablo. Dizem que o cara é quente. Tem dinheiro que não acaba mais. É realmente um homem forte do tráfico.
- Pereira, o garoto que foi sequestrado é filho desse cara?
- É sim. Não disseram não, mas é filho desse Pablo. Eu só não sei o nome do traficante que mandou sequestrar o garoto. Mas esse meu informante vai descobrir e vai me avisar. Ele só sabe, e já me falou, que os sequestradores trouxeram o garoto aqui pra Bahia. Por isso o chefe mandou a gente invadir esse posto. É por aqui que eles vão passar.
- Eles já estão aqui? Não acredito!
- Sabe qual é o nome do garoto?
- Não. Nem desconfio.
- Estou informado. Bem informado. O meu camarada disse que o nome do garoto é Carlos Hernandes. Confere aí.
- É sim, Pereira. Você está bem informado mesmo, hem! É! Mas você deve ter visto o nome do garoto aqui na tela, não foi
- Vi nada! Eu sou é bem informado! Eu tenho é que me virar, meu irmão. Com esse salariozinho, não dá nem pra comprar o leitinho das crianças.
- Ué! Você está se sentindo um policial, Pereira? Os caras estão lá atrás amarrados, esqueceu?
- Claro que não, Blanco. Só estou exercitando. Não se esqueça que esses nomes não nos pertencem.
- Tudo bem. Não podemos tirar os olhos dos crachás para não esquecer os nossos novos nomes.
- Tá certo. Escuta só. Quando chegar a informação de quem sequestrou, a gente age. Se eles vieram pra cá, é porque a base é aqui. Certo? Então, só temos realmente que saber quem é. Aí a gente monitora e pega o garoto.
- Pereira, será que foi o grupo do Ramiro? Esse também é quente, né? E eu sei onde fica uma das fazendas dele. Eu e Nestor já demos cobertura a ele, antes de ficar com Rufo.
- Nem me falou nada, hem!
- Foi o Nestor que me botou nessa.
- Tudo bem. Se for ele, aí vai ser mole, né? A gente toma o garoto dele. Depois eu falo com esse meu amigo e ele fica como intermediário na transação. Mas vamos ter que falar com o chefe. Vamos ter que arranjar um local para guardar o menino.
- Isso é fácil. Deixa comigo.
- Tudo bem.
- Pereira, tem uma coisa.
- O que é?
- Nada demais. Sobre o Nestor junto na jogada. Fala você com o chefe, ele te escuta mais.
- Mas ele é de confiança mesmo?
- É. Total.
- Blanco. Escuta meu irmão. Nós não devemos nos arriscar. Segredo é só pra um. Já somos três e você tá querendo botar mais um. Não sei não, hem! Acho que é um furada!
- Ele é pedra noventa, Pereira. Pode deixar. É da mesma escola nossa. Além, que é uma grande vantagem, do cara conhecer todos os passos do Ramiro.
- Então, tá legal. Tem ele com Ramiro e o meu amigo do Acre com Pablo. Fechou bem. Já tinha falado com Rufo sobre ele, agora falo sobre Nestor. Daqui a pouco dou uma ligada para o chefe.
Continua na Semana que vem!

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