terça-feira, 21 de abril de 2026

O Filho do Poder - Parte 23

 


 Continuando...

                Enquanto os dois conversam, Toni procura alguma coisa que pudesse desviar a atenção deles.  Tinha que pensar rápido. Inventar algo. Sabia que se olhassem o caminhão, com certeza descobririam o garoto. Mas Pereira já caminhava em direção à carreta. Toni, com o coração acelerado, esticou os pés para poder ficar do lado do patrulheiro, mas no meio do caminho uma luz iluminou o seu cérebro. Pensou rapidamente numa saída e parece que a solução apareceu. Então não pestanejou e se dirigiu ao patrulheiro:

          - Senhor Pereira. Já ia me esquecendo de comunicar um ocorrido na estrada. Um acidente grave.

          - Um acidente?

          - É. O sinistro foi lá no km 18, mais ou menos. Foi feio. Um acidente terrível. Uma carreta passou por cima de um carro. Não consegui ver a marca dele. Parecia, apesar de estar todo amassado, quase do tamanho de uma van. Eu tive a sensação que ele estava escoltando a carreta.

          - Como é que ele estava escoltando a carreta, se ela passou por cima dele?

          - Sei lá. Eu concluí pelo fato de ter uma arma de calibre pesado. Me parecia uma escopeta. A porta estava meio aberta e ela estava quase toda pra fora. Tinha até dois corpos caídos no asfalto. Devem ter sido cuspidos.

         - Escopeta?

         - Não estou afirmando, eu só imagino que sim. Às vezes aparece no jornal da TV, quando tem apreensão de armas.  Aparece Ar 15 e escopeta.

         - Tinha quantas pessoas no carro?

         - Não sei. Quando eu e Quim, meu irmão, fomos nos aproximando, o carro explodiu. Aí não deu pra olhar nada. Era um fogaréu danado! A carreta também estava em chamas. Aí saímos o mais rápido possível dali.

         - Por que o senhor não passou um rádio?

         - O nosso rádio não está muito bom. O Quim esteve tentando consertar ele, mas como não conseguiu, viemos até aqui. Aí eu ia aproveitar para ir ao banheiro.

         - Vocês estão cansados de fazer as estradas de banheiro, por que não fez dessa vez?

          - Por quê? Porque eu não consegui fazer nada naquela hora. Com tanto fogo, acho que ninguém conseguia mijar. Sabe a gente só queria sair dali e chegar aqui, já que o rádio não pegava. Patrulheiro, o meu irmão deve ter conseguido consertar o rádio, assim espero. Senão vamos ter que comprar outro novo. Novo não, de segunda mão. Sabe como é que é, a grana tá curta, curta!

                Pereira naquele momento estava pensativo. Parecia que não tinha escutado o que Toni dissera. A única coisa que fez foi parar e olhar para lugar nenhum. Depois coçou a cabeça, mexeu na orelha e fixou o olhar na direção da cabine do posto. Segundos depois gritou para o amigo:

          - Blanco! Blanco! Vem cá! Vem rápido!

          - O que foi? – apareceu rapidamente à porta, botando a camisa para dentro da calça e apertando o cinto. Já do lado de fora reclamou com o colega:

          - Caraca, Pereira! O que houve? Estava no banheiro! Sai quase que com as calças na mão, cara!

          - Deixa de drama! Acho que pintou um negócio bom pra gente. É apenas um palpite.  De repente, cara, chegou o nosso presente de Natal antecipado. Rufo vai gostar.

         - Explica isso, Pereira. Que presente é esse?

         - Lembra da nossa conversa, não lembra?

         - Claro que lembro. E daí?

         - Blanco, faz o seguinte: vai lá dentro e avisa ao Mário que vamos sair para ver um acidente que aconteceu no km 18. Se ele perguntar, diz que foi um caminhoneiro que avisou. Vai rápido! Vai rápido! Explico tudo no caminho. Por enquanto, sem perguntas.

 Continua Semana que vem!

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