terça-feira, 29 de setembro de 2026

O Filho do Poder - Parte 46

 


Continuando...

         Toni bota a mão na boca e fala baixinho para o irmão:

         - E agora Quim?

           Quim com presença de espirito arranja uma saída:

         - Senhor Tadeu, a gente vai precisar do caminhão.

         - Pra quê?

         - Pegamos um pequeno frete lá no posto. Sabe, o valor que o senhor vai nos pagar com esse frete é baixinho. Aí depois que a gente fizer o serviço, trazemos o caminhão de volta. É só pra engordar um pouquinho o bolso.

        - Falando em frete, tá aqui o dinheiro. – esticando a mão com um envelope e entregando a Toni. Agora não estava nos meus planos vocês pegarem outro frete. É pra longe?

        - Não. O cara falou que é coisa de uma hora pra ir e outra pra voltar.

        - Então está bem. Sem problemas. Só que eu quero o caminhão aqui, no máximo, às nove horas. A saída de vocês não deve passar das quinze horas. Não pode passar desse horário de jeito nenhum. Certo?

        - Claro. Claro. Sem problema algum. Podemos ir? – disse Quim, engolindo a saliva acumulada na boca. 

        - Podem. Mas não esqueçam do horário.

        - Pontualidade britânica! – falou Toni, com um sorriso de orelha a orelha, tentando esconder o nervosismo que já deixava a sua perna tremendo um pouco.

           Despediram-se de Tadeu e dirigiram-se para o caminhão. Entraram em silêncio, ligaram o veículo e em baixa velocidade, quase se arrastando, foram em direção ao portão. Quim então comentou com o irmão, entre dentes:

          - Toni essa foi na trave. Eu pensei que a gente fosse se ferrar. 

          - Mas graças a Deus você teve uma saída de mestre. Quim, essa você fez um golaço.

          - Nem sei como eu inventei aquela história. Mas o importante é que deu certo.

            Enquanto conversavam, o menino se mexeu e ia tirando a lona de cima, quando Quim viu e colocou o braço em cima e falou mais baixo ainda:

           - Ei garoto, não bota a cara pra fora não. Fica aí escondidinho como ficou até agora. Já estamos quase saindo do galpão.

                 Depois comentou com o irmão:

           - Toni, estamos com muita sorte. Como é que eles não olharam aqui dentro?

           - Sei lá. Estou achando que é muita sorte mesmo. Muita sorte assim, até santo desconfia.

          - Toni, muita sorte assim até santo desconfia? Essa é demais. Vamos andando para que a sorte não mude.

          - Vira essa boca pra lá, Quim! Eu hein! A sorte vai continuar com a gente!

            No dia seguinte, Toni chegou às oito horas e quarenta e cinco minutos. Tadeu com os seus funcionários já estavam circulando tanto pela parte externa como pela interna do galpão. O portão já estava aberto e Toni foi entrando com o caminhão sem pedir permissão. Apenas um dos funcionários indicava onde deveria estacionar e ele fez tudo como o indicado.

           Ele desceu do caminhão e foi em direção de Tadeu, que o esperava com um sorriso nos lábios. Quando Toni chegou ele esticou a mão e cumprimentou-o. Depois falou com um pouco de entusiasmo:

          - Gostei, gostei muito! Gosto de gente assim: pontual! Tudo leva a crer que vamos nos dar muito bem! Como foi o extra ontem?

          - Levamos um bolo.

          - Como foi isso?

          - Não foi bem um bolo, na realidade. O que aconteceu é que o fazendeiro, segundo ele disse, o seu caminhão tinha sido consertado. Aí o extra foi pro brejo. Não era muita coisa, mas é sempre bem-vindo qualquer um trocado.

           - Mas não tem problema. Essa carga que você vai transportar vai render um troco muito bom. A nossa parceria vai ser lucrativa, você vai ver só, Toni. E o seu irmão, não veio?

          - Ele disse que ia descansar um pouco. Sabe como é que é, tomou umas cervejas a mais e agora está lá encarando um bode.

          - É assim mesmo. Uma cerveja geladinha sempre desce bem. Mas se passar do limite, o bicho pega.

         - É isso aí, seu Tadeu.

         - Toni, deixa o caminhão aí e volta às duas e trinta. Tudo bem?

         - Sem problema. Voltamos mais tarde. Até mais ver.

         - Até mais. Não se atrase!

         - Pode deixar. Pode deixar.

         - Espera aí, Toni. Lino, leva ele até o hotel.

         - Precisa não, seu Tadeu é pertinho. Tô precisando caminhar um pouquinho. Estou todo travado. E o que vamos ficar sentados ainda, - puxa! - vai amassar a gente todo! Por isso tenho que me esticar. E não precisa se preocupar, duas e trinta estarei aqui.

 Continua na Semana que vem!

Nenhum comentário:

Postar um comentário