Continuando...
Toni procura manter-se o mais calmo possível, até chegar próximo do policial que sinaliza para que ele encoste a carreta. Toni então ligou a seta e saiu da fila. Parou e esperou o patrulheiro chegar. Sabia que ia ter que descer, mas as suas pernas não estavam ajudando muito. Com a chegada do policial, deixou aflorar um leve sorriso e perguntou:
- Algum problema, patrulheiro? Quer que eu desça?
- Sim, desça por favor. – respondeu, mas ainda foi até a frente do caminhão e olhou mais uma vez o número da placa, como se tivesse se certificando da numeração. Em seguida gritou para o colega:
- Ivan, a placa confere!
O colega veio rapidamente, liberando todo o transito, e foi logo falando:
- Ferreira, dá uma geral! Vira, se preciso, o caminhão de cabeça pra baixo!
- Deixa comigo!
Toni, não conseguindo mais segurar a ansiedade, se dirige para o patrulheiro Ivan:
- Está pegando alguma coisa, senhor? Estou com a documentação toda certinha, aqui comigo. Está aqui, dá uma olhada. Meus documentos também. Está tudo em ordem.
- Está nervoso? – perguntou o policial Ferreira.
- Não. Claro que não. Eu só fiquei preocupado quando o seu colega disse que ia virar o caminhão de cabeça pra baixo.
Os policiais não responderam nada, apenas abriram as portas da carreta e olharam para dentro da cabine. Depois o policial Ferreira entrou e olhou atrás dos bancos. Como não tinha achado nada de importante, acenou para o amigo Ivan, que imediatamente mandou Toni abrir a carroceria. Ele pegou a chave, mas antes de abri a porta entregou a nota fiscal ao policial, que arregalou os olhos ao ver o nome que estava lançado. Em seguida gritou para o amigo:
- Ferreira, vem cá. A mercadoria é de Honório. A carga está sempre batendo com a nota fiscal. Pelo que eu conheço o amigo, ele não ia contratar um traficante para levar a mercadoria dele.
- Pereira não pediu pra gente segurar ele?
- Ele pediu. Mas...
O patrulheiro Ivan tirou os óculos escuros, coçou a cabeça e ficou com o olhar perdido na nota fiscal, por um bom tempo e em total silêncio. Depois desviou o seu olhar e encarou Toni, que sentiu um tremor no corpo. Talvez de medo, devido ao olhar gelado de Ivan.
O patrulheiro, era visível a sua indecisão, mastigava a sua dúvida e com isso custava a falar alguma coisa para o caminhoneiro. Já Toni foi ficando cada vez mais incomodado com a situação, porque não imaginava qual seria o desfecho. Qual seria a causa daquele silêncio? Se perguntou. Teve vontade de falar alguma coisa para acabar com aquele mal-estar. Acabou ficando na vontade, porque o patrulheiro venceu o mutismo.
- Me diz uma coisa: o senhor está viajando sozinho?
- Estou sim. Estou sim. – respondeu Toni.
- Ferreira, Pereira disse que eram dois caras e uma criança. Confere? – falou o policial Ivan, olhando por cima dos óculos escuros.
- Confere, Ivan.
- Onde está o seu parceiro e a criança? – se dirigindo novamente para Toni.
- O meu irmão, que é meu sócio, ficou em Barreiras. Ele teve um piriri e acabamos achando melhor ele ficar por lá. Combinei de pegar ele na volta.
- E a criança?
- Não sei nada de criança. Eu nem tenho filho pequeno e muito menos o meu irmão. Que criança é essa?
- Aqui quem faz as perguntas sou eu. Ferreira chega aqui. E o senhor faz um favor de abrir o caminhão. – apontando para Toni.
- Pois não.
- Ferreira, dá uma geral na carroceria. Vou olhar de novo dentro da cabine, pra ver se tem algum vestígio, que não percebemos.
- Ivan, não precisa não. Já olhei duas vezes.
- Você garante? Então está tudo certo.
Continua na Semana que vem!
