terça-feira, 11 de agosto de 2026

O Filho do Poder - Parte 39


 

Continuando...

            O policial Ferreira segue ao lado de Toni até ele abrir a porta da carroceria. Depois fica atrás do caminhoneiro, com os braços cruzados, esperando que ele escancare a porta do baú. Secamente manda que Toni fique de lado. Ameaça entrar na carroceria, mas desiste. Apenas olha para o interior e dá um muxoxo.  

          - Ivan! – grita para o colega -  Com essas garrafas pet aqui, não dá pra esconder ninguém, não! Então, vamos segurar o cara assim mesmo até Pereira chegar aqui?

          - Ferreira, eu acho que não devemos reter o cidadão. A documentação está toda normal. Liga pra Pereira e avisa que o cara está limpo. Nenhuma anormalidade. Acho que ele se enganou. Além do mais, ele está transportando mercadoria de um amigo.

          - Mas Ivan, ele disse que o cara trabalha para o tráfico.

          - Eu sei! E daí? Não estou entendendo o Pereira não. Tem alguma coisa por trás disso. Ele não está querendo abrir o jogo. Tudo bem se tivesse alguma anormalidade, aí a gente segurava ele aqui. Quebrava essa pra ele. Mas a carga sendo de Honório, um cara correto, eu não vou ficar com ele aqui não. Ferreira deixa que eu converso com Pereira.

          - Tudo bem. Vê se ele solta alguma coisa.

                  Enquanto os dois conversam, Toni finge que não está ligado no papo deles, para não levantar suspeita, só que, mesmo eles falando baixo, ouve a maior parte da conversa. Quando Ivan disse que ia ligar para Pereira, ele pediu licença e perguntou:

           - Com licença. Está tudo certo com a nota fiscal e a minha documentação?

                   Ivan antes de responder, mira-o de cima a baixo, olha a nota fiscal mais uma vez, verifica a foto da carteira e finalmente diz:

            - Tudo bem. Está tudo em ordem. Pode seguir viagem. Vai entregar a carga ao Tadeu?

            - Vou sim. Lá em Palmas.

            - Fala que Ivan está mandando lembranças pra ele. Não vai esquecer, hein!

            - Pode deixar. Não esqueço não. Obrigado. Fiquem com Deus.

                   Toni com o coração acelerado, ainda não estava acreditando que tinha sido liberado. Só de pensamento agradeceu ao senhor Honório pela carga. Se não fosse ela, estaria em maus lençóis. Foi caminhando com calma sem demonstrar que estava doido para fugir dali. Entrou no caminhão, deu a partida e ligou a seta para voltar para a pista, mas antes acenou para os patrulheiros. Com o caminhão em movimento procurou não acelerar muito, esperou até que sumisse da vista deles.   

               De vez em quando olhava pelo retrovisor, pois estava com a sensação de que os caras viriam atrás dele. Mas os seus olhos também vasculhavam o mato próximo ao acostamento, a procura do irmão e do garoto. Esse era mais um motivo para que não desse uma boa esticada e fugisse dali o mais rápido possível.

                Enquanto Toni procurava o irmão e o menino, Ivan conversava com o falso policial, que tomou o lugar do patrulheiro Pereira, pelo celular. E a conversa rolou mais ou menos assim.

          - Pereira, não deu pra segurar o caminhão. O quê? Não entendi! Está picotando! Repete! Ah! Tá! Só estava um cara. Não. Não era esse não. Esse é Toni. Esse, de nome Quim, ficou em Barreiras. Parece que adoeceu e teve que ficar por lá. Não. Não tinha criança nenhuma. Pode ser que tenha ficado lá também. Eu não podia segurar o cara. A carga que estava transportando é de um amigo meu. Carga limpa. Claro que é limpa! Está duvidando? Escuta só! Dá próxima vez abre o jogo! Já disse que não achamos menino nenhum! Qual o interesse pelo garoto? Nenhum? Acho difícil, hein! Tá legal! Tá legal! Olhamos tudo sim. Um abraço.

           - Pô, Ivan! Esse nosso colega é chato pra cacete!

           - Ferreira, tem alguma coisa por trás disso tudo. O interesse dele pelo garoto é muito. Você viu que ele não quis abrir o jogo, né? Debaixo desse angu tem caroço. Mas Pereira é um policial correto. Não estou entendendo.

Continua na Semana que vem! 

 

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