sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Pensamento de Poeta - A Esperança Morre de Sede



A Esperança Morre de Sede
-  José Timotheo -

Pés descalços
Mãos calejadas
Pés calejados
Mãos vazias
Nem a terra seca
Fica na palma da mão
Nem os pés esfolados
Marcam o chão vermelho
Vagueia sem sombra, sem cor
O seu sangue
Dá cor a terra
Não conseguiu ser retirante
Morreu afogado
Na falta de chuva


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Pensamento de Poeta - De Cabral a Cabral



De Cabral a Cabral 
- José Timotheo - 
Vídeo o quê
Que tem
Algemas, óculos escuros
Destape, a vergonha é nossa
Cara de pau, cara de pau
Na balança da impunidade
Não temos saudade de nada
Já nascemos sem história
Sem verdade e sem glória
Já computamos pilhas e mais pilhas
De lorotas
Empurradas pra baixo da descoberta
Sufocadas no lamaçal
Tudo começou lá trás
Com um Cabral
Vamos às transações
Passa-me “um Cabral” de incentivo
Foi mal, foi mal
Toma cinquenta na eleição
Sou um cara “bão”
A saúde está doente
A educação, mal educada
Minhas promessas, furadas
Vídeo o quê
De Cabral a Cabral
É vergonha nacional
                                              


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Pensamento de Poeta - Descaso


Descaso
- José Timotheo -
Dorme
Estendido na sombra
Sonha
Mas te chamam
És a próxima
Vitíma
Beija o asfalto
Alto do fragelo  
Engorda a estatística
E não acorda
É para sempre
Mas podia 

Ser diferente

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Pensamento de Poeta - É Preciso Arriscar


É Preciso Arriscar 

                                                 - José Timotheo -

Não é preciso doar um sonho
Dê apenas um sorriso
O sonho pode ser quimérico
Uma esperança nunca alcançada
Dê um simples abraço sem medida
Desperte uma saudade boa
Doe uma promessa verdadeira
Aquela que possa se realizar no dia seguinte
Fale de amor, de natureza
De um pássaro que cantando
Faça alguém despertar o seu canto
Não presenteie papo vazio
Fale das coisas simples da vida
Fale o que é necessário alguém ouvir
Mas não sem verdade
Arrisque para a felicidade
Dar às caras
                                                fim 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Pensamento de Poeta - Majestosamente Emburrecidos


Majestosamente Emburrecidos
- José Timotheo - 


A natureza majestosa
Continua impávida
Humilde, prossegue
Embelezando a nossa violência
A nossa tristeza
Impávidos, continuamos
Perseguindo, matando
Majestosos, continuamos

Morrendo

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O Caso dos Olhos Azuis - Parte Final

Continuando...
           Na redação do jornal, na manhã seguinte do trágico dia, PC, Souza e Lucinha conversam sobre o caso dos olhos azuis. Souza então procura saber alguma coisa a respeito do caso, com o amigo.
          - PC, a polícia já conseguiu localizar algum comparsa de Leo?   
          - Não chefe. Parece que sumiram todos num passe de mágica. O delegado está atento. Mas perdido. Não tem outra saída, a não ser esperar. Será que as mortes vão recomeçar?
         - Espero que não. Esperamos que não. Não é Souza?
         - É Lucinha. Vamos torcer para que tenha terminado juntamente com Leo.
           PC começa a rabiscar alguma coisa num folha de papel. Ele demonstrava ansiedade. Era visível que não estava querendo terminar a conversa ali. Tinha que escrever sobre o caso. Estava de frente pra tela do computador. Mas só tinha o título: O CASO DOS OLHOS AZUIS.  Tinha que entregar a matéria, mas precisava conversar com Souza. Olhou para o amigo e disse:
          - Souza. Meu irmão. Continuo ainda sem entender isso tudo. Tem momento que não se consegue fazer uma analise das reações do homem. Sai ano, entra ano, convivendo diariamente com o crime, ainda não consigo acreditar que as pessoas possam matar. Possam morrer. Sabia que Leo tinha câncer nas vistas? Alguém me falou. E não tinha cura. Por que será que as pessoas matam por estarem condenadas a morrer? Não saem da minha cabeça aqueles olhos azuis. Olha só que coisa estranha: na festa só tinha sido convidado pessoas com olhos castanhos ou verdes. O único de olho azul era ele. E o único louco. O único não. Ele era o mais louco. Tinha gente doida à beça lá. Na verdade todos nós somos um pouco louco, né? Chefe, por que será que ele se juntou a essa turma? Por dinheiro, com certeza, não foi. Deve ter sido apenas por ódio?
          - PC! Essas perguntas são dificílimas de serem respondidas! O único que poderia responder está morto! Ou, talvez, nem ele!
         - Mas se a polícia pegar alguém da gang, de repente tem a resposta.
         - PC, o chefe está certo. O cara era completamente doido. O maluco faz coisa que até Deus duvida.
        - Mas Lucinha, os outros não são doidos. Quando conheci Leo, ele não era maluco. Era uma das pessoas mais equilibradas que já tinha conhecido. Ele ficou doido com a doença.
        - É! Pode ser! Quantas pessoas vão dormir de um jeito e quando acordam estão doentes! Meu Deus!
       - Tem que se benzer mesmo! Vai que você...
       - Vira essa boca pra lá! Vira essa boca pra lá, PC!
          E a vida na cidade continua de morte, para quem trabalha no jornalismo policial. Os repórteres vão carregando diariamente a tragédia humana. O que fazer se o homem é trágico?
          Os repórteres PC e Lucinha vão saindo da redação para mais um dia de ronda policial. Vermelho já está com o motor do carro ligado. Mas Lucinha volta na redação para pegar a sua bolsa. PC fica impaciente com a demora da amiga. Quando ela retorna, ele reclama:
          - Pô Lucinha! A gente já estava quase indo embora sem você! Deu um tremendo castigo em Vermelho, no Marcão e no seu amigo aqui! Diga-se de passagem, o melhor repórter da cidade! É ou não é? Vamos rápido, menina! Entra logo! Temos que fazer a cobertura da prisão do ex-governador!
          Lucinha vai entrando no carro e faz careta pra PC, que já está com um sorriso na boca. Vermelho olha para trás, pede para ela colocar o cinto de segurança e sai em disparada.
                                         
                                                   fim    

OBS. Essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a história, nomes dos personagens, é pura coincidência.