terça-feira, 16 de junho de 2026

O Filho do Poder - Parte 31

 


Continuando...

            Toni desce do caminhão e vai ao encontro de um frentista, o mesmo que tinha abastecido o seu caminhão. Aproxima-se e toca no ombro do rapaz.

          - Meu irmão, - botando uma dose de humildade na voz – por gentiliza, você podia me dá uma informaçãozinha?

          - Oi, pois não.

          - Ainda agorinha eu falei com um senhor. Eu não sei o nome dele. Ele até me ofereceu uma carga. Você viu?

          - Vi sim. Eu conheço ele. É o seu Honório. Gente boa.

          - Ele foi embora?

          - Foi não. Ele foi lá para a lanchonete. Mesmo se ele já tiver saído, coisa que eu duvido, não tem problema, o galpão dele é aqui pertinho.

 

          - Valeu, meu irmão.

                Toni vai até o caminhão e fala com o irmão:

          - Aí Quim. Espera aqui mesmo e observa o garoto. Acho que não vou demorar. O cara está na lanchonete. Agora é só torcer.

           - Tudo bem, mano. Sucesso. Mas eu vou encostar o caminhão ali. – Apontando para a única vaga do lado da lanchonete.

                 Depois de conversar com o irmão, Toni se dirige para a lanchonete. Para na porta e passa os olhos pelas mesas. Observa que mais da metade está ocupada. Mas lá no canto, estava a pessoa com quem ele queria falar.  Entretanto a sua esperança estava em xeque. Imediatamente fez uma cara de desanimo, ao ver que o senhor conversava com um sujeito grandalhão, que, com certeza, era um caminhoneiro.

          - Que droga. - pensou - Perdemos a carga.

                Mas de repente uma chama brilhou nos seus olhos. Pensou novamente:

          - Não vou desistir. Essa é a nossa salvação. Vou lá. Se preciso for aceito até um valor menor.

                  E tomado de coragem e otimismo, se encaminhou, pisando firme, até onde está o tal senhor. Mas antes de se aproximar, o grandalhão se levantou e foi juntar-se a outra pessoa numa mesa afastada. Aí ele deixou escapar um leve sorriso e determinado, pede licença e senta-se na cadeira em frente ao seu Honório, que sorri e balança a cabeça afirmativamente. Toni então dá uma suspirada e, sem titubear, entra logo no assunto que o levou ali.

          - Seu Honório, eu aceito a oferta. Está de pé o que o senhor ofereceu?

          - Infelizmente já conversei com outro. Aquele caminhoneiro ali – apontando para uma mesa próxima – me disse que ia pensar. Se ele desistir, a carga é sua. O que fez você resolver pegar?

          - É. Nós mudamos nosso roteiro. Resolvemos passar por dentro de Palma.

          - Então, espera aqui. Qual o seu nome mesmo?

          - Toni. Antônio. Pode me chamar só de Toni.

          - Tá bom, Toni. Vou perguntar a ele.

         - Eu pensei que fosse aquele grandão.

         - Aquele é só meu amigo. De vez em quando, segurança.

         - É! O cara é forte, mesmo!

         - Fica aqui. Não senti muita firmeza nele, não. Disse que a grana é pouca.  O cara tá sempre querendo mais. É assim mesmo! Eu até falei pra ele que depois, de repente, arranjava outro frete para compensar esse.

         - E o senhor arranjou?

         - Falei com um empresário amigo meu, mas a mercadoria não está aqui, está no outro galpão dele a pouco mais de 20 km daqui. É só entrar nessa estrada aqui ao lado do posto e ir em frente. É uma estrada ruim, mas, devagar, dá pra ir bem. Uma vantagem para quem pegar, é que a carga dele vai pra perto, de onde vai a minha. As minhas garrafas pets tem que ir hoje e acho que a carga dele também. Dá pra levar as duas cargas, mole, mole.  Vai compensar.

        - Eu topo. Espero aqui a resposta.

               Toni estava visivelmente tenso, esfregava as mãos sem parar. Os pés, por debaixo da mesa, não paravam no mesmo lugar. Ele olhava discretamente para a mesa que estavam os caminhoneiros e Honório conversando, e tinha a sensação que o papo já estava demorando uma eternidade. Tentou esticar a orelha para ouvir alguma coisa, mas não conseguiu captar nada. Quando Honório apertou a mão dos dois e saiu, teve a sensação que o coração ia sair pela boca.  Procurou segurar a ansiedade e esperou sentado até que o empresário voltasse. Mas nem esperou que Honório se sentasse e foi logo perguntando:

          - E aí, seu Honório? Tenho chance?

          - Fica tranquilo. Eles queriam que eu pagasse mais, mas como eu não aceitei, eles desistiram.

          - Então é minha?

          - É só botar no caminhão.

          - E a nota fiscal?

          - Está tudo legal. Vamos pegar a carga lá no meu galpão, junto com a nota fiscal. É aqui perto. Pode me acompanhar?

          - Ah sim! Claro! A gente segue o senhor. E a outra carga?

          - Vou ligar para o meu amigo e você vai lá e pega a dele.

          - Ok. Já vou seguir o senhor.

 Continua na Semana que vem!

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