segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Pois é Natal...2021 tá chegando!!

 


Pois é Natal...2021 tá chegando!!!

 

 

           Mais um ano... 

           Esse foi diferente, comentá-lo dá dó.

           Os dias ficaram hospitalizados. Cada manhã que chegava se afogava na incerteza. O que realmente nascia, de parto normal, sem constrangimento, era a tristeza. Lágrimas não faltaram para tentar encará-la de frente.  O medo já chegou como pavor impedindo a fuga. O que dizer das pessoas escondidas de si mesmas? Não faltavam incentivos para que não se olhassem por trás das máscaras. Vivemos um processo de nos auto desconhecer, não nos reconhecíamos.

          Tristes manhãs que vêm se arrastando até o natal. Quem é papai noel? Não o conheço. Acho que nem ele se conhece mais. Muitos esperam o presente... Uma máscara para se proteger de si mesmo. Esse é um natal que torço para não ser vermelho. Quero apenas o verde novinho em folha. As lâmpadas, muitas cores, acendendo a chama da paz e do amor. Mas dessa vez vou pedir, prioritariamente, pela saúde. Estamos precisando e merecendo. Tudo vai entrar nos eixos, se deus quiser!

             Na virada do ano, peçamos um ano realmente novo.

         O que passou, passou. Em 2019 torcemos para que 2020 viesse bem, mas infelizmente para muitos não foi o que se esperava. Sei que até agora a tristeza imperou...

            Dá vontade de parar por aqui... Só tristeza?

            Descansei os olhos, descansei a alma, e parei de escrever.

             Não sei quanto tempo estive parado. Viajei? Não sei. De repente abri os olhos e percebi que já estava noite. Luzes coloridas batiam à minha janela. Estiquei o meu olhar para um condomínio vizinho. Qual não foi a minha surpresa, pai, mãe e filha terminavam de montar a sua árvore de natal.  Em seguida acenderam as luzes coloridas. O pisca-pisca multicor tomou conta da noite. Olhei para outros apartamentos, procurando outras árvores, mas não tinha mais nenhuma montada. Tudo estava apagado. Então de onde veio o colorido das lâmpadas piscando na minha janela?

          O pisca-pisca incessante da árvore do vizinho refletia alegria por todo o condomínio. Naquele momento percebi que a magia do natal continuava acesa. As luzes natalinas começavam a invadir a escuridão. Na verdade, essas luzes nunca se apagam, apesar da tristeza que tenta afastar Papai Noel das nossas vidas. Não esperei nem um segundo, comecei a montar a minha árvore. Acendi todas as lâmpadas e deixei que a claridade do meu lar contagiasse outros, como o vizinho me contagiou.  

              Tenho certeza de que “daqui pra frente, tudo vai ser diferente”. Desejamos, eu e Martha Taruma, a todos, um horizonte brilhante. Muita paz e amor para todos nós.

               Feliz natal e próspero 2021.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Nos Escaninhos do Coração - Parte 4

 


 Continuando...

                   O tempo foi passando sem que conseguissem sair do mesmo lugar.  André observou que Luiza parecia nervosa. Não aquele nervosismo que sempre antecipava cada nova aventura. Era diferente. Daquele jeito, não se recordava de já ter visto. Ela estava com um alto grau de irritação. A tensão que estava se misturava com uma ansiedade fora do comum. Já estava a caminho do descontrole.

                     André olhava para ela com um ar de preocupação. Sabia que as dificuldades pelos caminhos sempre existiram, mas agora estava ficando complicado. Não conseguiam sair do lugar. Seguravam-se como podiam. O mau pressentimento voltou com força total a povoar o seu pensamento. E a voz que falava ao seu ouvido, agora mais decidida, mandava-o descer. O arrepio tomou conta de todo o seu corpo novamente. Dessa vez ficou muito tenso e preocupado. O coração batia descompassado. Respirou fundo, tentando equilibrar-se. Sabia que não podia perder o controle, porque a amiga já estava completamente descontrolada. Naquele momento até palavrões ela soltava aos quatros ventos, coisa que normalmente não fazia. Ele ficou assustado com tal comportamento. Mesmo fazendo um esforço sobre humano, o medo dominou-o. Tentou gritar, mas não conseguiu. A única coisa que veio à cabeça foi pedir socorro a Deus. E rezou fervorosamente, como nunca tinha feito. Como por encanto, se sentiu mais calmo. Aí conseguiu pensar em alguma coisa. A solução veio clara na sua cabeça: abortar aquela aventura. E sem pedir a opinião da amiga – isso pela primeira vez – corajosamente gritou para ela:

         - Luiza! Temos que descer de qualquer jeito! Já estamos no mesmo  pedaço há horas! E nada de sairmos do lugar! Ou deixamos para outro dia, ou vamos para a entrada que todos optam! Hoje não dá mais! Vamos descer! Não temos outra saída! Estou ficando assustado! Vamos descer agora! Ouviu bem? Vamos descer agora!

                 Ela escutou o seu chamado em silêncio. Aquilo para ela era uma derrota. Não admitia perder nunca. Olhou para André, com uma cara que misturava tristeza e decepção. Ameaçou falar, mas a voz resolveu parar na garganta. Na realidade não tinha certeza se ia aceitar a sugestão dele, que na realidade não era sugestão, era uma ordem. E pela primeira vez, depois de anos juntos, ele ordenava.  Assustou-se um pouco com essa novidade. André percebeu no seu olhar a dúvida. Ficou apreensivo. Mas naquele momento soube que ela, mesmo a contragosto, desceria. Não podia ceder, tinha que ficar firme, pois era isso que ela queria.             

           O silêncio separava os dois. Olhavam-se mergulhados no mutismo.  André sabia que ela não falaria mais nada. A decisão seria sua realmente. Pensou, pensou e a única forma para ela obedecê-lo seria ele começar a descer. Mas mesmo assim tentou mais uma vez fazer com que ela abraçasse o bom senso e descesse sem sofrimento. Será que ia ceder mais uma vez?

          - Vamos Luiza. Hoje não conseguimos, mas em outro dia venceremos essa montanha. Amanhã! Hoje não devemos continuar tentando. É perda de tempo. Mas... (deu uma pausa, demonstrando dúvida) você decide.  Esse tempo ainda continua me assustando. Devemos aproveitar a trégua que ele nos deu. Já observou que o sol sumiu? Vem, desce comigo. – fez outra pausa - Como disse, você decide. Apoio qualquer escolha sua. – parecia que ia voltar atrás novamente - Mas... – fez uma pausa mais curta. Engoliu em seco e disse - hoje você vai me seguir.

          Com essas palavras acabou deixando claro que havia finalmente decidido. Ainda assim, fez isso com o coração nas mãos. Ela, então, sem falar nada, olhou para o alto e balançou a cabeça sentindo-se derrotada. Olhou para André e um fio de lágrima desceu pela sua face. Ele ficou emocionado. Conhecia aquela menina mais do que ela mesma. Pensou em abortar a sua decisão novamente e continuar a, mesmo sabendo que seria em vão, tentar vencer aquele desafio. Quando pensou em externar a sua mudança de plano, ouviu um estrondo. Parecia que a montanha estava desabando. A explosão, se não foi na base, devia ter sido muito próximo. O eco do estrondo ia se esfregando pelas montanhas até se perder no fundo do vale. E a sensação que André tinha era de que as explosões se sucediam infinitamente. 

....................Continua semana que vem!

 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Nos Escaninhos do Coração - Parte 3

 

 
 
Continuando...

                  A sua concordância não era da boca pra fora, era sempre assim porque de antemão ele sabia que ela jamais cederia. Então quando aceitava, e aceitava sempre, puxava todos os riscos para si. Qualquer risco era melhor do que ficar sem Luiza. Então para que discordar? Sabia que jamais a deixaria só. Se, porém, acontecesse de um dia, recuar das vontades dela, tinha a certeza de que ela mesma não abriria mão de seus desejos, seguindo sempre em frente de qualquer jeito, sem avaliar o perigo que pudesse advir da sua decisão.

               Mas André inventava sempre alguma coisa para tentar disfarçar a sua concordância imediata.  Fazia jogo duro no início, para depois aceitar o que ela impunha. Sorriu para a amiga, mas com o coração apertado, pois a voz com um mau presságio continuava a rondá-lo.  Ele não sabia o que fazer porque tinha prometido que continuaria com ela para o que desse e viesse.  A dúvida, então, fez morada. Mas André voltou a escarafunchar seus pensamentos para encontrar alguma justificativa adequada para mudar a sua decisão. Que justificativa? Sorriu e pensou:

                - Não tenho.

                Mas sabia que tinha que tentar algo. Porém, antes de falar qualquer coisa, deixou transparecer que estava num estado reflexivo. Ficou assim por alguns segundos. Esboçou um leve sorriso ao se lembrar das vezes anteriores que cedeu às imposições de Luiza. Aí veio um sorriso incontrolável, chegando às raias de gargalhar. Colocou imediatamente a mão na frente da boca, para tentar escondê-lo, mas não conseguiu segurar o riso.  Virou o rosto para o lado, mas mesmo assim de nada adiantou. Então, como último recurso, apelou para o controle pela respiração. Respirar fundo e soltar o ar vagarosamente. Depois de alguns minutos no exercício respiratório, é que conseguiu sossegar o riso. - Mais uma vez ela venceu. – deixou escapar um sussurro. Então, confirmando a sua decisão, gritou para o amor da sua vida:

              - Quem entra no fogo, é pra se queimar! Então está decidido: vamos recomeçar a escalada! - Depois falou baixinho: sou maluco! Sou maluco!

                 Voltou a fazer mais uma vistoria no seu equipamento, mesmo já estando a vinte ou trinta metros do chão. Deu um puxão na corda, para se certificar de que estava realmente presa. Em seguida começou a se movimentar. Procurou mais um lugar para colocar outro grampo. Estava difícil. Na verdade, a maioria das dificuldades que sempre tivera era por limitações técnicas e um material de má qualidade. Não era alpinista e nem Luiza. Os dois eram apenas malucos, como ela dizia, que gostavam de subir morros. Mas um acordo entre eles era sagrado: não se arriscar em montanhas com mais de trezentos metros de altura. Só que essa passava um pouco disso. Mas para Luiza todas tinham trezentos metros. Esse acordo era suspeito. E André engolia sem questionar. Fingia acreditar.

                   Em todas as aventuras que se arriscaram sempre conseguiram, às vezes milagrosamente, se sair bem, apesar dos contratempos, que não foram poucos. Era impressionante como com tão pouca experiência, tenham conseguido vencer desafios, que até alguns profissionais preferiam não enfrentar. Para alguns amigos aquilo realmente não passava de milagre. Só Deus mesmo para ajudá-los a vencer os obstáculos. Mas até quando a mão de Deus iria ampará-los?

                    Com poucos anos de estrada, mas com tanta carga perigosa nas costas, provocavam comentários até por parte de alguns profissionais.  A maioria dos amigos se esquivava de qualquer convite deles. Acabaram sendo chamados de “dois loucos solitários.” Mas eles riam e diziam que eram todos medrosos. Ninguém tinha coragem suficiente para desafiá-los numa escalada com grande grau de dificuldade.

                     André olhou para Luiza e percebeu que ela também não tinha conseguido achar uma pega segura. Naquele trecho parecia que a pedra tinha sido polida.     Aquele lado do morro era um grande espigão de granito, escorregadio e sem praticamente uma fenda para prender os ganchos. Agora sentia que a escolha não tinha sido boa. Por onde os montanhistas iniciavam a escalada, Luiza não quis. Ela queria um desafio sempre maior, por isso optou por ali, onde ninguém nunca havia se aventurado. – Por que concordou com ela? – pensava ele novamente.

                   Poucos grampos conseguiram fixar. A quantidade dele, era a mesma dela. Normalmente a escalada era independente. Luiza não admitia usar o mesmo grampo. Queria abraçar todos os perigos. Não queria dividi-los com o amigo. Que André ficasse com os dele. 

........Continua semana que vem!

 

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Nos Escaninhos do Coração - Parte 2

 


 Continuando...

           André, que antes parecia decidido, mesmo hipnotizado com a beleza que irradiava Luiza, não respondeu de imediato ao seu convite, pois continuava com a dúvida encravada na cabeça: era a voz que voltava a ecoar dentro do seu ouvido. Mas ela nem esperou a sua concordância ou não e já se movimentava querendo subir mais e mais aquele imenso paredão que parecia não ter fim. Ele gritou para que ela esperasse, tentando persuadi-la a desistir, mas ela ignorou os seus apelos. Luiza tinha consciência que seus argumentos eram praticamente determinantes, em toda e qualquer aventura. Como conhecia seu parceiro, não vacilava em hipótese alguma ao impor as suas vontades, deixando-o sem opção. Mesmo quando não era totalmente convincente nas suas colocações, ela sabia que ele não resistiria ao seu sorriso e ao seu olhar, e acabava cedendo. E ela então, depois de um largo sorriso, disse:

          - André! Como recuar? Agora que o tempo melhorou? Olhe pra baixo e veja onde já chegamos! Não estamos quase na metade? Deixa de ser chato! Falta pouco!

          - Que falta pouco? Que metade, Luiza? Não chegamos ainda nem a um terço da escalada! Escuta! Escuta! Temos que aproveitar que o tempo está cooperando com a gente! O serviço meteorológico não erra! – fez uma pausa, olhou para baixo, parecia que esperava alguma contestação dela antes que terminasse de falar, depois voltou a olhá-la, já que não houve interrupção, e continuou - estamos com sorte que o tempo deu uma trégua. Amanhã à tarde o tempo volta a ficar firme. Aí sim podemos escalar com segurança. Vamos procurar um lugar para acampar, protegidos do temporal que vai cair. Vamos ficar sossegados até amanhã. Vamos?

          - Que temporal André? O céu está lindo! Você está com medo! Não acredito!

          - Que medo? Você me conhece! Luiza, alguma coisa me diz que vai ser uma furada. Não precisamos arriscar tanto. Já passamos por outros sufocos sem necessidade. Graças a Deus nos saímos bem. Será que dessa vez...

         - Dessa vez? Dessa vez o quê?

         - Sei lá! Um arrepio estranho percorreu pelo meu corpo, causando uma sensação muito desagradável! E parece que alguém falou ao meu ouvido, pra descermos. Isso está me deixando preocupado...

        Luiza se manteve em silêncio por alguns segundos. Depois, com palavras encorajadoras, disse:

          - Fica assim não, André. De tudo que aconteceu até hoje com nós dois, nos safamos muito bem. Não vai ser dessa vez que as coisas vão dar erradas. Olha só para essa montanha. Acho que é uma das mais fáceis que já escalamos. Vamos em frente! Nada vai nos derrubar! E esse negócio de voz... só pode ser invenção sua!

            André pensou em retrucar. Dar o contra, nunca adiantou e não seria dessa vez que iria adiantar. Então virou o rosto para o outro lado e deixou que um sorriso escorregasse dos seus lábios. Depois, voltou a olhá-la e fixando os seus olhos nos olhos dela, disse:

        - É, acho que você está com a razão. E se houver alguma coisa, a gente acelera e para naquele pequeno platô, a uns trinta metros acima. Está bem? E me parece até que lá tem uma pequena caverna.

            Ela não falou de pronto, porque o riso veio espontâneo e misturou-se à fala.

          - É? É? (risos) Não estou vendo não, mas acredito! Você é... (risos) Você é maluco igual a mim! Pra variar, nem estudou essa montanha! Mas você está dizendo que tem um platô e uma caverna, eu acredito e pronto! Vamos em frente? (risos)

         - Pode rir! Pode rir! Está dizendo que acredita! Mas é claro que não acredita! Olha só a sua cara!  O que se há de fazer? Você manda! Manda sempre! Estou com você para o que der e vier! 

-----------Continua semana que vem!