terça-feira, 28 de julho de 2026

O Filho do Poder - Parte 37

 


Continuando...

               A viagem foi tranquila até avistarem a Patrulha Rodoviária. As expressões de Toni e Quim mudaram radicalmente. Um ar de preocupação, porque não dizer de medo, tomou conta do sossego. Era evidente que o medo estava em primeiro lugar, pois não sabiam o que poderia acontecer com eles dois e o menino, já que brincaram com os brios dos falsos policiais, enganando-os sobremaneira. Toni, que estava na direção, - trocara com o irmão, em uma das paradas para usarem o “banheiro” da beira da estrada       - diminuiu a velocidade, devido a uma pequena retenção no trafego, e comentou com o irmão:

          - Quim, já viu onde estamos chegando?

          - Claro que vi.

          - Já estou ficando preocupado.

          - Preocupado com o quê?

          - E você pergunta, Quim? Você - vai me enganar! – está nervoso também!

          - É. Tô nervoso sim. Mas estamos com a documentação toda certa. Vai ficar tudo bem. – fez uma pausa – Caraca, Toni! – diz Quim carregado de preocupação.

          - O que foi, mano?

          - Toni, uma coisa bateu aqui agora: e se os falsos policiais se comunicaram, se passando pelos patrulheiros verdadeiros, com os patrulheiros daqui? Já devem estar esperando por nós, mano.

          - Mas já falei sobre isso. Vamos apostar na sorte. Mas se a sorte tiver partido, aí o bicho vai pegar, Quim. Eu sei que com a documentação não vai ser problema. A encrenca é o garoto. Se pararem a gente, como vamos explicar a presença do menino aqui? Nem sei a cana que dá para sequestro. Mas é o que vai sobrar pra gente. Estamos numa enrascada. Em que problemão a gente se meteu, hein!

           - Eu sei Toni que estamos com um problemão na mão. E não sei o que vamos fazer.  Será que se o menino ficar bem encostado nas costas do banco e se cobrir bem, vamos enganar os policiais? O menino é magrinho. Quem sabe? Só Deus pra nos ajudar.  Carlos, se estica aí e se cobre com a lona.

           - Tá calor! – contesta o menino.

           - Nós sabemos que está calor, mas você não pode ser visto. Tem que se esconder e bem, se não estamos fritos.

           - Olha só, Quim. – Toni aponta na direção do posto policial - O transito está lento, mas em compensação não estão parando ninguém. Acho que a gente está com sorte.

                  Quim olha atento para os policiais, mas fica calado, enquanto analisa a situação. Toni olha para o irmão e vê o momento em que ele coça a cabeça várias vezes. Isso era uma alerta para a chegada de algum problema.

           - O que foi, mano?       

           - Toni, eles querem a gente. Olha lá, mano. Um dos policiais está checando as placas dos caminhões. As carretas dão uma paradinha e depois o policial manda seguir em frente. Até agora não pediu documento de ninguém. Os carros de passeio nem param. Não estou gostando nada disso. Só pode ser a gente que eles querem.

           - Quim, um deles está vindo pra cá. Está mandando os carros de passeio saírem e só deixando os caminhões. Ih! Ele está apontando pra gente!

           - E agora? Sujou geral, Toni!

           - Escuta só. Ele pode não ter visto você. Vamos arriscar. Pega o garoto e desce com ele. Vou continuar na mesma marcha. Desce no acostamento e entra no mato. Vê se consegue sair, sem ser visto, bem lá na frente. Depois eu pego vocês. Mas procura se afastar o máximo das vistas dos policiais. Pula aqui pra frente menino. Isso. Quim abre a porta e depois pega o garoto.

                    Quim consegue descer sem chamar a atenção, pega o garoto no colo e entra por dentro do mato, que estava bem próximo do acostamento. 

                    O patrulheiro que havia apontado para o caminhão dos irmãos, para de caminhar, se vira e sinaliza para o colega, com um gesto de mão, para que ele libere todos os demais veículos. Só que os carros mantiveram a mesma velocidade, se tornando, com isso, numa grande ajuda para a fuga de Quim e do menino.

Continua Semana que vem! 

 

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