quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Pensamento de Poeta - Síncope - A Ressurreição


 

Síncope - A Ressurreição 

- José Timotheo -  





O silêncio e o barulho

Em algum momento da vida

Não vai fazer diferença

O seu contato com os dois, não vai existir

A luz apaga

Por quanto tempo? Ninguém sabe

Pode acender ou não

Quando acende, você vê tudo vermelho

E acendeu

(mas, realmente, pode não acender)

Vi uma poça vermelha

Nesse instante o silêncio ficou barulhento

Você percebe como a vida é incerta

A luz é incerta

Ela não clareia realmente

Tudo é apenas dúvida

A vida ficou por um fio

Mas consegui não quebra-lo

Ou alguém fez por mim?

Não sei

Caí mas levantei

E aqui estou

Grato a Deus.

                                                           FIM


 

domingo, 28 de dezembro de 2025

O Filho do Poder - Parte 6

 


Continuando...

        Quim fazendo cara feia ajuda o irmão a retirar o morto do carro, deitando-o próximo a arma que o defunto portava. Em seguida arria o banco da frente e puxa o saco, com cuidado, para fora com cuidado até deitá-lo no asfalto. Depois, convida o irmão a abrir o saco e tirar a pessoa que está lá dentro. Toni, que parecia cheio de coragem, se esquiva com delicadeza:

       - Puxa mano. Quem sou eu pra magoar a sua valentia. Não posso tirar isso de você. Vai lá, vai. Abre o saco você. Essa honra é sua.

       - Cara de pau, hein! Além de vaselina também! Tudo de ruim sobra pra mim mesmo. Eu vou porque eu sei que você não tem coragem de ver defunto ou quase defunto. Vou quebrar essa pra você.

          Toni bota a mão na frente da boca e deixar aflorar um sorriso nervoso, enquanto Quim vai tentando abrir o saco de pano colorido, sem firmeza nas mãos, parecendo feito de retalhos e que ele confundiu com roupa. Como o nó estava muito apertado, Quim deu uma paradinha. Mas parecia apenas um laço, que não percebeu. Tudo por conta do nervosismo. Depois, olhou para dentro do carro, de onde tinha tirado o saco, e viu mais uma arma, que parecia uma escopeta, encostada no banco. Pegou-a e passou para o irmão, comentando:

          - Olha só Toni. Pra quê essas armas todas? Esses caras iam para alguma guerra?

          - Esquisito, hein Quim. Mas vai em frente e deixa a curiosidade para depois. Abre logo esse saco, vai. Já estou ficando tenso.

          - Deixa comigo, mano. – Tentando demonstrar uma segurança que, naquele momento, já não existia.

          - Claro! Eu vou deixar com quem?

          - Muito engraçadinho. Oh! Não fica com essa cara de riso não!

          - E quem é que tá rindo? Uma situação dessas e eu vou rir? Vamos logo com isso, Quim.

          O irmão aproxima as mãos, já bem trêmulas, até a corda que amarra a boca do saco, mas para antes de encostar os dedos no nó. Tinha que desamarrá-lo rapidamente para ter certeza do que continha no interior, mas titubeia. Dá uma olhadela para o irmão e respira profundamente, parecendo trazer de volta a coragem. Depois de alguns segundos respirando, retorna ao que ia fazer, agora com mais determinação. Pega uma das pontas da corda e depois, com a outra mão, segura a outra ponta. Não é um nó cego, é apenas um laço. Com isso, sem muito esforço, consegue desatá-lo. Com cuidado, mas ainda com um pouco de receio, pois não sabia o que poderia achar ali dentro, foi abrindo o saco calmamente. Olha para o interior, arregala os olhos e solta um grito de susto.

          - Meu Deus, Toni! – ele engole a saliva e também o grito. E fica, por alguns segundos, olhando para o interior do saco, em silêncio - Eu suspeitava, - com a voz embargada - mas não queria acreditar. Tem realmente uma pessoa aqui dentro com um capuz na cabeça. – ele puxa o capuz - Ih! É uma mulher, Toni! É uma mulher! Deixa eu ver direito. Ela está respirando. Tá viva, mano. Graças a Deus. Olha só. Olha só. – Toni vira a cara para o lado - Você está com medo de olhar, mano?  É realmente uma coisa para não se ver, mas você tem que olhar.

         - Não. Não. Medo nada. É... – ele gagueja - Medo nada. Vou olhar. Puxa vida! Meu Deus! Quem fez uma coisa dessas? Mas ela ainda está viva?

          - Tá mano. Tá respirando.

          - Que bom, Quim. Leva o saco pra distante desse carro. Só por precaução.

          - Mas tá pesado, Toni. Ajuda aqui. – o irmão não demonstra que vai tomar a decisão - Pô mano, tá tirando o seu da reta?  Pega o saco comigo!

          - Que... que... – gagueja – Que o quê! – e foi se afastando - Faz o que você puder. Não posso ver isso, Quim. Eu vou olhar lá do outro lado. Vou tentar abrir a outra porta.

          - Tá bom, Toni. Respeito o seu medo. Mas acho que não vai conseguir nada não, do outro lado. O carro tá todo destruído. Não tem um pedaço sequer sem um amassado. Não adianta fugir

          - Mas estou fugindo. Vou olhar assim mesmo o outro lado.  

                   Toni dá a volta no carro e, mesmo com a porta emperrada, ele tenta abri-la, mas a tentativa é em vão. Nisso o irmão grita:

          - Toni! Toni! A coitadinha está toda amarrada! Acho que está com o braço quebrado! Caraca, mano! Acho que ela está quebrada da cabeça aos pés! Não dá pra tirar ela daqui não. Parece até que o tamanho dela foi diminuído. Não sei se foi com o acidente ou se alguém fez isso. Coitada.

          - Tenta. Vai com jeitinho. – falou com dor em cada letra – Não consigo ver isso não.  

          - Como vai com jeitinho? Coragem, Toni! Vem me ajudar! O que vai adiantar você fugir?

 Continua Semana que vem!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Pensamento de Poeta - O Tempo Não Para

 


O Tempo Não Para

- José Timotheo -  

Mais um ano que dá adeus. Trezentos e sessenta e cinco dias de mãos dadas com o passado. Parece que vemos o mesmo filme todo final de ano. Olhando para trás podemos confirmar isso. Fico angustiado. Ouço uma notícia boa, mas logo depois vêm duas para deixar a esperança entalada. Sonho todo ano, não ter nada de ruim para escrever quando o ano findar. Ledo engano, tudo se repete.

           Recentemente, um amigo me disse uma coisa, que até desceu como um alento. “Amigo, disse ele, temos que cultivar o otimismo. Não adianta ficar de chororô. A bicicleta só vai para frente, se você pedalar. Só caem do céu chuva e mísseis. Não adianta somente sonhar, sem colocar a mão na massa. Só vamos conseguir alguma coisa, se cada um fizer a sua parte. Não vai adiantar gritar que queimaram uma floresta e ficar de braços cruzados.  Plante uma árvore, e outros te seguirão. Ninguém conserta o passado. Temos que cuidar com zelo do presente. Seja uma pessoa sorridente, que isso contagia. Vá em frente, sem olhar para trás”.

             Passado é passado. O tempo continua no seu perpétuo movimento, “ele” nem olha para trás. Por que você vai olhar? Por que vamos perder tempo com o que já foi feito?   Seguir em frente é o nosso destino. E é dever de todos nos vigiar, para que o passado não se torne um eterno fantasma. Vamos sonhar sim! Esperançar sim! Isso é um ótimo combustível!

              FELIZ NATAL E UM PRÓXIMO ANO – 2026 – NÃO MENOS FELIZ. É O QUE DESEJAMOS EU E MARTHA TARUMA.

              VAMOS EM FRENTE COM PAZ E AMOR NO CORAÇÃO! VAMOS LÁ, GENTE!



 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

O Filho do Poder - Parte 5

 


Continua...

        Depois de fazer esse comentário, Quim olha para o irmão, bate com a mão no ar e bota o corpo para o interior do veículo, mas acaba esticando mais um pouco a conversa. E sai do carro de novo.

         - Mano, você já viu como esse carro é grande? Está vendo do jeito que ele ficou? Só tem esse pedaço que está menos amassado.

         - E o que você quer dizer com isso? Só estamos perdendo tempo. Deixa de enrolação, Quim. Saiu do carro por quê?

         - Eu saí... Mano, o que eu quero dizer, é que realmente estamos perdendo tempo. Não quero mais saber do saco de roupas. Para o que vai me servir eu ver as roupas que estão ali? Pode ser roupa suja. É perda de tempo. E não vou perder o meu tempo tentando saber se o motorista morreu, se o carona morreu e se do lado de lá tem alguém vivo. Tudo é perda de tempo. Não vou olhar mais nada. Um carro, desse tamanhão deve ter muita gente dentro. E deve tá todo mundo morto. Olha só a traseira: o teto está encostado na carroceria. Se tiver alguém ali, virou bife. Já estou com defunto demais perto de mim. Esse, aquele outro ali, que também está tão despedaçado quanto esse aqui. Tá uma barafunda só, Toni!

        - Para quê esse discurso todo? Assim é que estamos perdendo tempo, mesmo. Está de brincadeira, Quim?

        - Que brincadeira?

        - Quim, você tá perdendo tempo à toa. Você fala à beça. Se estivesse olhado aquele monte de roupas, já tinha visto se tem gente ou não. Olha logo.  Você é que é o curioso aqui, agora está querendo recuar? Lançou uma suspeita e agora quer cair fora? Deixa disso e vai logo conferir.

        - Que recuar? Sou homem de palavra! Se eu falei, vou cumprir! Satisfeito? Já estou indo, patrão!

                     Quim termina de falar e finalmente, mais decidido, mete o corpo para dentro do carro, novamente. Se apoiou nas pernas do morto, sem fazer cara de nojo, e conseguiu chegar até onde está o que ele achava ser apenas um monte de roupas. Só que mal coloca uma das mãos em cima, leva o maior susto. O saco se mexeu e em seguida veio um gemido. Quim sai rápido do carro com uma expressão de quase terror. Com o susto, quase derrubou o irmão que estava atrás de si.

        - Toni! Mano tem gente viva! Tem gente viva! Aquilo lá, não é um monte de roupa não! É um saco de pano, com uma pessoa dentro!

        - Calma Quim. Calma. Você quase me atropelou! Calma. Se tem gente, então vamos tirar ela de lá. Vai lá, mas com cuidado.

         Quim, com a respiração ofegante, olha para o irmão, parecendo que ia falar alguma coisa, mas colocou o corpo para dentro do carro novamente, mas calado. E assim ficou por alguns segundos, até quebrar o silêncio.

        - Toni! Toni! A pessoa tá respirando! – fala ansioso - Puxa! Você estava certo! Mano, mas como é que a gente vai tirar ela daqui? O teto tá muito baixo!

        - Quim, nesse momento precisamos de muita calma. Acho que temos que tirar esse cara da frente primeiro. – apontando para o homem que estava com a cabeça afundada causado pelo amassado do teto do carro.

        - Como? Ele tá com a cabeça enterrada no corpo. Já tá muito esquisito para o meu gosto! E essas pernas pro alto? – fez a pergunta, com a voz alterada, e foi saindo do carro.

        - É só a gente puxar as pernas dele pra baixo, Quim. Sem dificuldade.

        - Toni, puxar pra baixo? Tá tudo tão apertado. E o cara é grande.

        - Quim deixa eu pensar. Pronto já pensei.

        - Assim tão rápido?

        - Escuta só Quim. Força as pernas dele pra baixo que eu puxo ele pra fora do carro. Vamos, não faz cara feia não. Já que estamos na água, não tem jeito, vamos nos molhar mesmo.

       - Está bem. Molhar... O que tem a ver com o fogo que queimou tudo?

       - Você é difícil, hein Quim! Deixa de enrolação.

       - Tá bem. Você venceu. Então vamos lá. Se prepara que vou empurrar as pernas dele para baixo. Toni, como é que ele ficou com as pernas para cima?

      - E eu sei lá! Isso é hora pra você me perguntar coisa que eu não sei responder? Vamos logo. Bota as pernas dele pra baixo. Isso. Assim mesmo. Agora vou puxar o corpo dele. Viu só? Agora dá pra gente tira-lo daqui com facilidade.

 ,,,,Continua Semana que vem!